Uma
diferença de 58 anos separa o mais novo do mais idoso prefeito eleito no último do domingo (2) no Rio Grande do Sul. E uma distância de pouco mais de 52
quilômetros separa as cidades dos dois. O mais jovem é o advogado Gustavo Bigolin, 24 anos, enquanto o agricultor Armindo David Heinle, 82 anos, é o mais idoso. Enquanto
um recém inicia a vida política, o outro garante que não vai tentar a reeleição em 2020.
Armindo David Heinle (PP)
O agricultor Armindo David Heinle, 82 anos, é o mais idoso prefeito eleito no último domingo (2) no Rio
Grande do Sul. Assim, voltará a ocupar o cargo de chefe do Executivo de Bom Progresso, no Noroeste do estado. "Ainda estou bem da cabeça. Dá para aguentar mais
quatro anos", disse em tom de brincadeira ao G1. Mesmo antes de assumir o cargo, Heinle diz que não vai tentar a reeleição. "Já vou estar muito
velho."
Armindão, como é conhecido na cidade, já foi prefeito outras duas vezes, entre 2004 a 2012. Diz que entrou na política a pedido
da população local. "O povo me pediu demais: 'Armindão tu vais ter que ir, ir lá na prefeitura, isso está mal, a saúde está
mal'. Nos meus oito anos como prefeito, tínhamos a melhor saúde na Região Celeiro."
Após o resultado, na noite de domingo, o
octogenário sentiu o peso da idade. Devido a uma queda de pressão, teve que ser levado para o hospital. "Era muita gente, aquele agarramento. Acho que foi muita
emoção. Mas fui para o hospital e melhorei ligeiro."
Heinle mora há 58 anos em Bom Progresso. Por mais de 20 anos, foi dono de um bar.
Depois, resolveu vender o negócio e investir no agronegócio. Hoje acumula um patrimônio de R$ 6 milhões, entre terrenos, máquinas, imóveis e
veículos, de acordo com o informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para vencer, disse que fez uma campanha sem comício. "Fui
de porta em porta, distribuindo panfleto conversando." Mas a vitória foi apertada, com uma diferença de 39 votos do candidato João Carlos de Souza (PSB).
"Senti feliz demais." O novo prefeito de Bom Progresso é casado e tem dois filhos, de 56 e 38 anos, e uma neta de 16 anos.
Gustavo Bigolin (PP)
Aos 24 anos, o advogado e produtor rural Gustavo Bigolin venceu o pleito em Alegria, no Noroeste do estado, com a
proposta de tornar a cidade mais atrativa para outros jovens. Ele vê no município muito poucas oportunidades para os moradores mais novos, que acabam se mudando para estudar ou
trabalhar fora.
"Nosso município é basicamente agrícola, e quero dar um incentivo para os jovens ficarem aqui. Hoje o jovem acaba indo
embora para a cidade grande em busca de uma melhor condição de vida", explica o prefeito eleito.
A eleição da qual saiu vitorioso foi a
primeira que Bigolin disputou na vida. No entanto, a vivência na política vem da infância – o avô João Teixeira já foi vereador e vice-prefeito,
e o pai, José Bigolin, cumpriu o terceiro mandato na Câmara Municipal. Todos são do PP. "Está no sangue", garante.
Além
dos conselhos do pai e do avô, Bigolin aposta na qualidade da equipe que participará da administração junto com ele para suplantar o desafio. "Sinto-me
preparado por ter equipe boa ao meu lado. O prefeito sozinho não faz nada, é um alicerce”, diz.