Com políticos eleitos para comandar prefeituras de 72 municípios gaúchos em 2012, o PT viu seu prestígio cair muito nas
eleições deste ano no Estado. Em 2016, o partido chegou ao Executivo municipal em 38 cidades no Rio Grande do Sul: 34 a menos que nas últimas eleições, o
que representa uma queda
O partido não escapou ileso dos reflexos da Operação Lava Jato, de escândalos envolvendo lideranças de
peso, como o próprio Lula e do desgaste promovido pelos últimos meses do governo Dilma Rousseff, como a grave crise financeira, que levou a índices recordes de
desemprego e aumento da inflação, sentida na pele pela população.
Essa queda faz o PT deixar a lista dos três partidos que mais
ocupavam as prefeituras no Estado — posto que nas últimas duas eleições pertenceu, além do partido, também ao PP e PMDB. Estes últimos dois
permanecem no topo em 2016, mas o terceiro lugar passou a ser do PDT.
A preferência do eleitorado não passou para um partido específico. Ainda
que o PP, com oito prefeituras a mais que em 2012, tenha sido o que mais cresceu em quantidade de municípios administrados, os votos acabaram pulverizados entre diversos partidos.
Proporcionalmente, o maior salto foi do PSB, que subiu 33,3%, passando de 18 prefeituras em 2012 para 24 neste ano. O partido repetiu, em 2016, o desempenho da eleição
anterior, quando também deu um salto de seis prefeituras em relação a 2008, crescendo 50%.
O PSDB foi outro que avançou, passando de 20
prefeituras em 2012 para 26 nestas eleições, um aumento de 30% na quantidade de municípios administrados. Além do PSDB e do PSB, também o PDT ganhou seis
prefeituras, e PTB, DEM, PRB, PC do B e Solidariedade passaram a comandar mais cidades.
O quadro ficou estável apenas para PPS e PSD. Houve também
outros partidos, além do PT, que apresentaram queda. É o caso de PMDB, com duas prefeituras a menos que em 2012.
O prefeito eleito de Três de
Maio acredita que o PT deve passar por um processo de refundação para reconquistar a confiança da sociedade brasileira. Em entrevista à Rádio Colonial na
manhã desta terça-feira (4), ele defendeu a responsabilização de líderes que comprovadamente tenham cometido irregularidades.
“Se você faz parte da igreja Católica, por exemplo, e ou dois padres cometem irregularidades, você não vai deixar a sua igreja, mas, sim, lutar para melhorar
a qualidade dos líderes da igreja. É isso que precisamos. Refundar o PT para voltar a ter credibilidade e crescer novamente”, afirmou Altair Copatti em entrevista ao
programa Rádiojornalismo.
Copatti revelou que muitos eleitores disseram que não iriam votar nele por causa do partido e sugeriram que ele troca-se de
agremiação.