A maioria dos
deputados federais do Rio Grande do Sul votaram 'sim' no primeiro turno do texto-base da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que impõe limite ao gasto público. No
total, 18 posicionaram-se a favor da medida. Os que votaram 'não', colocando-se contra, foram 8 (confira a lista completa abaixo).
Na noite desta
segunda-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o texto principal da proposta por 366 votos a favor, 111 contra e duas abstenções. Para ter aprovação final,
a PEC ainda precisa passar por um segundo turno de votação na Câmara e mais dois turnos no Senado.
Tramitação no
Congresso
A PEC 241, conhecida como PEC do Teto de Gastos, foi enviada ao Legislativo por Michel Temer no primeiro semestre, enquanto o peemedebista ainda
ocupava interinamente a cadeira de presidente da República. A proposta é considerada pelo Palácio do Planalto um dos principais mecanismos para tentar reequilibrar as
contas públicas.
A PEC define que as despesas da União só poderão crescer, nos próximos 20 anos, até o limite da
inflação do ano anterior. Na prática, Executivo, Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas da União, Ministério Público e Defensoria
Pública da União não poderão aumentar suas depesas de um ano para o outro acima da inflação registrada no ano anterior.
Em
caso de descumprimento do teto, a PEC estabelece uma série de restrições, como a proibição de realizar concursos públicos ou conceder aumento para
qualquer membro ou servidor do órgão.
Saúde e educação
Desde que foi apresentado pela equipe
econômica de Temer no primeiro semestre, a PEC do teto de gastos enfrenta resistências no Congresso e em setores da sociedade civil.
Entidades como o
Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho Nacional de Secretarias Estaduais de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems),
por exemplo, dizem que a PEC pode impor perdas bilionárias para o setor de saúde.
Inicialmente, o governo chegou a incluir no texto do projeto o limite
para os investimentos nessas duas áreas.
Diante da repercussão negativa da medida e da pressão de parlamentares, incluindo da base aliada, o
Palácio do Planalto anunciou que, em 2017, serão mantidas as regras atuais para os investimentos em saúde e educação (previstas na
Constituição), passando a vigorar o novo teto somente em 2018.
Salário mínimo
No relatório
apresentado à comissão especial que analisou a PEC na Câmara, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) afirmou em seu parecer que a proposta prevê que o
salário mínimo (referência para mais de 48 milhões de pessoas) deixará de ter aumento real (acima da inflação) se o governo ultrapassar o
limite de despesas – gastar mais do que o fixado na lei.
Esse veto ao aumento real permaneceria, conforme o relator, até que as despesas retornassem
aos limites previstos "não se restringindo apenas ao ano subsequente ao descumprimento do teto".
Confira os votos dos deputados
gaúchos:
DEM - Onyx Lorenzoni - Sim
PDT - Afonso Motta - Não
PMDB - Alceu Moreira - Sim
PMDB - Darcísio Perondi - Sim
PMDB - Jones Martins - Sim
PMDB - José Fogaça - Sim
PMDB
- Mauro Pereira - Sim
PP - Afonso Hamm - Sim
PP - Covatti Filho - Sim
PP - Jerônimo Goergen - Sim
PP - José Otávio Germano - Sim
PP - Luis Carlos Heinze - Sim
PP - Renato Molling - Sim
PR -
Cajar Nardes - Sim
PR - Giovani Cherini - Sim
PRB - Carlos Gomes - Sim
PSB - Heitor Schuch - Não
PSB - Jose Stédile - Não
PSD - Danrlei de Deus Hinterholz - Sim
PSDB - Nelson Marchezan Junior - Sim
PT -
Bohn Gass - Não
PT - Henrique Fontana - Não
PT - Marco Maia - Não
PT - Marcon - Não
PT - Pepe Vargas - Não
PTB - Sérgio Moraes - Sim