O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, na noite desta sexta-feira (9), absolver a chapa composta por Dilma Rousseff e Michel Temer, vencedores nas
eleições presidenciais de 2014, do crime de abuso de poder político e econômico. Com a decisão, Temer continua na Presidência da República e
Dilma segue elegível, como ficou decidido no processo de impeachment que afastou a petista em 2016.
O placar foi de 4 a 3 contra a cassação da
dupla. Os ministros Luiz Fux e Rosa Weber acompanharam o relator da ação na Corte, Herman Benjamin, que optou pela cassação da chapa. Napoleão Maia, Admar
Gonzaga e Tarcísio Vieira votaram pela absolvição. Coube ao presidente do TSE, Gilmar Mendes, desempatar a decisão e garantir Temer à frente do Executivo
nacional até 2018 e os direitos políticos de Dilma.
Antes de anunciar seu voto, Gilmar realizou discurso carregado, chegando a gritar em alguns momentos
no microfone. Ministro afirmou que a decisão exige "grande responsabilidade".
— Não se substitui um presidente da República a
toda hora, ainda que se queira — disse Gilmar Mendes.
— É muito fácil fazer o discurso da moralidade, ninguém venha me dar
lição aqui, de combate à corrupção — bradou Gilmar Mendes.
O encaminhamento de Herman foi divulgado no início da tarde
desta sexta-feira. Ciente da desvantagem, indicada nas discussões preliminares, Herman fez um forte desabafo aos colegas:
— Recuso o papel de coveiro de
prova viva. Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão.
— No Brasil ninguém elege o vice-presidente da
República. No Brasil, elegemos uma chapa que está unida para o bem e para o mal. Os mesmos votos, contaminados ou não, que elegem o presidente da República,
elegem, também, o vice-presidente — frisou.