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Justiça nega pedido para reabrir inquérito da morte da mãe de Bernardo
Juiz Marcos Luís Agostini não acolheu pedidos de advogado de Jussara Uglione, avó materna de Bernardo Boldrini
A Justiça de Três Passos entendeu que não surgiram novas provas indicando que Odilaine
Uglione, mãe do menino Bernardo Uglione Boldrini, foi assassinada, e negou o pedido do advogado da família materna do garoto, que solicitou a reabertura do inquérito
policial. Em 2010, Odilaine cometeu suicídio no consultório do médico Leandro Boldrini, pai de Bernardo. A defesa dela alegou que havia falhas na
investigação da morte, e pediu uma nova apuração.
"Acolho a promoção do Ministério Público e indefiro
o pedido de desarquivamento do presente inquérito policial, com fundamento no artigo 18 do Código de Processo Penal", afirmou o juiz Marcos Luís Agostini no
despacho.
O artigo estabelece que para desarquivar um inquérito, são necessários fatos novos que justifiquem o pedido. No despacho, o juiz
concluiu que as alegações do advogado Marlon Taborda não são suficientes.
– Na teoria, é uma decisão
irrecorrível, mas estamos analisando se tomaremos alguma atitude. A Jussara não tem mais interesse. Porém, eu imaginava que havia possibilidade. Verifico que há
desinteresse das instituições em apurar a verdade real dos acontecidos – diz Taborda.
De acordo com ele, entre as principais falhas do
inquérito conduzido em 2010 estão divergências quanto ao exato local da lesão no crânio de Odilaine; existência de lesões no antebraço
direito e lábio inferior da vítima; lesões em Leandro Boldrini; vestígios de pólvora na mão esquerda da vítima, que era destra;
ausência de exame pericial em Boldrini, assinatura fraudada em uma carta deixada pela mãe de Bernardo e a própria morte do garoto, que configuraria um fato novo.
Relembre o caso
Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, desapareceu no dia 4 de abril, uma sexta-feira, em Três Passos,
município do Noroeste. De acordo com o pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini, 38 anos, ele teria ido à tarde para a cidade de Frederico Westphalen com a
madrasta, Graciele Ugulini, 36 anos, para comprar uma TV.
De volta a Três Passos, o menino teria dito que passaria o final de semana na casa de um amigo. Como no
domingo ele não retornou, o pai acionou a polícia. Boldrini chegou a contatar uma rádio local para anunciar o desaparecimento. Cartazes com fotos de Bernardo foram
espalhados pela cidade, por Santa Maria e Passo Fundo.
Na noite de segunda-feira, dia 14, o corpo do menino foi encontrado no interior de Frederico Westphalen
dentro de um saco plástico e enterrado às margens do Rio Mico, na localidade de Linha São Francisco, interior do município.
Segundo a
Polícia Civil, Bernardo foi dopado antes de ser morto com uma injeção letal no dia 4. Seu corpo foi velado em Santa Maria e sepultado na mesma cidade. No dia 14, foram
presos o médico Leandro Boldrini — que tem uma clínica particular em Três Passos e atua no hospital do município —, a madrasta, uma amiga dela,
identificada como Edelvânia Wirganovicz, 40 anos, que colaborou com a identificação do corpo.
Posteriormente, o irmão de Edelvânia
– Evandro Wirganovicz – foi preso temporariamente por suspeita de facilitar a ocultação de cadáver, crime pelo qual ele acabou denunciado pelo
Ministério Público.
Após pedido de aditamento do MP, a Justiça também aceitou a denúncia de Evandro por homicídio
triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de veneno e recurso que dificultou defesa da vítima), e decretou sua prisão preventiva.
Fonte: Zero Hora






















































