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29/03/2019 | 18:24 | Política

VÍDEO; sem aprovação da reforma da Previdência, ''vou fazer o que aqui?'', diz Guedes

Questionamento foi feito durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado

Questionamento foi feito durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado
efferson Rudy/Agência Senado/Divulgação
O ministro da Economia, Paulo Guedes, indicou nesta quarta-feira (27) que deixará o governo caso a reforma da Previdência não seja aprovada. Em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Guedes disse que não tem apego ao cargo e que aceitou o convite de comandar a economia por acreditar que o presidente Jair Bolsonaro apoiará suas ideias e que os Poderes irão "fazer o seu trabalho". 
— Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver o Brasil, eu estarei aqui. Agora, se o presidente ou a Câmara, ou ninguém quer aquilo? Eu vou obstaculizar a vida dos senhores? De forma alguma, eu voltarei para onde sempre estive — afirmou.
A resposta veio após questionamentos dos senadores sobre o projeto de reforma da Previdência e de outras medidas na área econômica. 
Em sua explanação, Guedes argumentou, como já vinha fazendo em outros discursos, que as mudanças no sistema previdenciário são imprescindíveis para o equilíbrio econômico do país. O ministro ponderou que não deixaria o governo "na primeira derrota", mas que não quer ficar a qualquer custo. 
— Suponhamos que os poderes aprovam que a União deve R$ 800 bilhões, que não tenha reforma previdenciária, não tenha nada disso, vou ficar fazendo o que aqui? Só se for para apagar incêndio — frisou. 
O ministro disse ainda que o Congresso tem autonomia para avaliar o texto da Previdência, mas que é importante manter um impacto econômico suficiente para aliviar o rombo na contas. 
Nos últimos dias, parlamentares apresentaram propostas de mudanças no projeto como condição para apoiara reforma. Entre os pontos, está a retirada do texto de trabalhadores rurais e aposentados de baixa renda, que recebem o Beneficio de Prestação Continuada (BPC). O próprio presidente Bolsonaro também defendeu a redução da idade minima de mulheres para aposentadorias. 
Guedes compareceu à CAE nesta quarta para falar sobre a reforma da Previdência, do projeto que estuda para mudanças no pacto federativo, de Lei Kandir e outros assuntos na área. A participação ocorre um dia depois do ministro desistir de comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde tramita a reforma.
Senador do PSL reclama da articulação do governo
Ao questionar Guedes sobre detalhes da reforma, o senador Major Olímpio (PSL-SP), uma das principais vozes do governo no Congresso, reclamou da articulação da equipe de Bolsonaro em torno do tema. 
— Estamos com 90 dias de governo, nós nunca tivemos uma reunião, uma nota técnica e a gente carece de informações aqui para fazer esta sustentação — disse. 
Guedes concordou que há problemas na articulação política. 
— Acho que tem havido uma falha dramática. É um governo que está trabalhando, que está tentando acertar, mas quando parte para o Congresso o principal opositor é ele mesmo? 
O ministro também justificou a desistência de ir à CCJ da Câmara, na terça (26), onde a reforma está parada diante de divergências entre parlamentares da base governista. 
— Ontem (terça-feira) eu tomei um susto porque o aviso que eu tinha era: olha, você foi convocado para ir em um lugar onde não tem nem relator (para a reforma) e já tá todo mundo preparado para atirar pedra, e o seu partido (PSL) vai atirar pedra também porque eles estão contra — relatou. 
Guedes admitiu que imaginava que a esta altura o PSL, partido de Bolsonaro, e o DEM, que possui ministérios no governo, já teriam fechado questão com apoio unânime ao texto.
Fonte: NSC Total
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