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18/05/2019 | 06:42 | Política

Liderados por Maia, deputados trabalham em uma nova proposta de reforma da Previdência

Decisão foi revelada pelo presidente da comissão especial da Previdência, Marcelo Ramos

Decisão foi revelada pelo presidente da comissão especial da Previdência, Marcelo Ramos
Rodrigo Maia comemorando sua reeleição como presidente da Câmara dos Deputados - Luís Macedo / Câmara dos Deputados
A semana que culminou com o presidente Jair Bolsonaro confessando suas dificuldades para governar revelou uma inesperada virada de mesa no Congresso. Irritado com o desprezo do Planalto à interlocução política, um grupo de deputados liderado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), trabalha em uma nova proposta de reforma da Previdência. 
A decisão foi tomada na última quinta-feira (16), em reunião na casa de Maia. Segundo revelou o presidente da comissão especial da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM), a iniciativa é a única chance de aprovação da matéria diante da inabilidade de Bolsonaro para se relacionar com os parlamentares. 
— Este é um governo que desconsidera completamente o Parlamento. A reforma é muito importante para o país, fundamental, e não podemos correr o risco de não ser aprovada porque o deputado antipatiza com o governo — justificou. 
O eixo das novas medidas ainda não foi definido. As discussões começam na próxima semana e, para manter a harmonia dentro do colegiado, o novo texto terá a chancela do atual relator da reforma na comissão especial, Samuel Moreira (PSDB-SP). O revide dos deputados provoca mais um abalo no governo, na mesma semana em que as ruas rugiram contra o presidente, e o Ministério Público avançou nas investigações dos negócios suspeitos do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). 
Ciente da fragilidade do Planalto, o centrão planeja impor novas derrotas em plenário nos próximos dias. A ideia é manter sem alterações o texto aprovado em comissão especial na semana passada que criou dois novos ministérios e tirou o Coaf do ministro Sergio Moro. Se houver resistências no grupo de partidos mais alinhados ao Planalto, como PSL e Novo, o grupo pretende deixar caducar a medida provisória que em janeiro reduziu de 29 para 22 ministérios, o que causaria uma desconstrução do atual organograma da Esplanada.
A tentativa de reação do governo acontece em meio a mais um capítulo da crônica disputa por poder e protagonismo entre seus principais líderes, delegado Waldir (GO), Major Vitor Hugo (GO) e Joice Hasselmann (SP), todos do PSL. Quando não estão brigando entre si, eles tentam atropelar membros do próprio governo. Na quarta-feira, enquanto o ministro da Educação, Abraham Weintraub, era sabatinado em plenário e milhares de pessoas tomavam as ruas para protestar contra os cortes nas universidades, o próprio líder do PSL, delegado Waldir (GO), cogitava propor a convocação do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Na véspera, Onyx havia dito que deputados queriam levar "vantagem" ao sustentarem que Bolsonaro pretendia suspender o contingenciamento.
— Eu não aceito manchar minha moral, minha honra. Eu fui lá como convidado. Ele falou besteira — vociferou Waldir, que desfila em plenário com um coldre vazio preso à cinta (a arma fica no carro ou no gabinete). 
Com a exígua base do governo batendo cabeça em plenário e a autoria da reforma da Previdência, maior prioridade do Planalto, lhe escapando às mãos, Bolsonaro continua trilhando um caminho particular. Nesta sexta-feira, ele postou em um grupo de WhatsApp convocação para uma manifestação prevista para o dia 26 em que grupos de direita pretendem pedir o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Em boa parte do dia nesta sexta-feira, porém, foi a hashtag Impeachment Bolsonaro que liderou os trending topics no Twitter. 
Para o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, o presidente flerta com o perigo ao desviar o foco da agenda econômica para picuinhas ideológicas. Conforme Abranches, já há um bloqueio da governabilidade e a própria palavra impeachment começa a ser repetida com maior frequência.
— Bolsonaro está perdendo uma janela de oportunidades. Enquanto ele prioriza o confronto, o processo econômico está paralisado, ele perde popularidade cada vez mais rápido, sofre contestações nas ruas e já está envolvido em escândalos por conta do filho. O governo dá sinais de colapso — diagnostica o autor do celebre ensaio Presidencialismo de Coalizão.
Fonte: Gaúcha ZH
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