Eram 20h08min quando o placar de votação da Câmara confirmou a aprovação do texto-base da reforma da Previdência em primeiro turno. A explosão de gritos de vitória e bandeiras do Brasil agitadas deu o tom da força do resultado: 379 votos favoráveis e 131 contrários, surpreendendo até mesmo os governistas, apesar do otimismo.
Questionado sobre o placar, o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que retomou o mandato de deputado para a votação, exaltou o resultado.
— Não esperava mesmo, mas eu sou um cara de muita fé. Não foi uma vitória do governo, mas uma vitória do Brasil.
Desde o início da tarde, parlamentares próximos ao Palácio do Planalto exibiam confiança no apoio conquistado, em parte, por meio de concessões de benefícios a categorias e distribuição de emendas.
A votação da maioria dos destaques, entretanto, foi adiada. Na primeira alteração, que diminuía em cinco anos a idade mínima para professores, o governo quase perdeu: foram 265 votos a favor — de 308 necessários — e 184 contrários. Pelo temor de ver destaques aprovados sem acordo, Maia encerrou a sessão e justificou:
— Os deputados estavam mal orientados e mal informados sobre os destaques. Tem outra matéria que o impacto era muito grande. Temos que parar, reunir os líderes, para que cada um organize sua bancada.