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| 06:21 | Segurança 3 min de leitura

Unick deve R$ 12 bilhões a clientes, diz PF

Inquérito com 260 páginas foi parcialmente concluído e enviado à Justiça Federal com 13 indiciados

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Inquérito com 260 páginas foi parcialmente concluído e enviado à Justiça Federal com 13 indiciados
Policiais federais cumprindo mandados de busca e apreensão em um dos escritórios da Unick em 17 de outubro - Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
A Polícia Federal (PF) sustenta que a Unick, empresa de investimentos com sede em São Leopoldo, deve cerca de R$ 12 bilhões a seus clientes. A informação consta no relatório parcial do inquérito da Operação Lamanai, concluído na quinta-feira (14), a que GaúchaZH teve acesso. O delegado Aldronei Pacheco Rodrigues, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da PF, indiciou 13 pessoas. A movimentação financeira contabilizada da empresa nos últimos anos chega a R$ 28 bilhões. Os bens e valores dos sócios da Unick estão bloqueados pela Justiça Federal. Conforme as investigações, há indícios de crimes de organização criminosa e contra o Sistema Financeiro Nacional.
Foram indicados Leidimar Bernardo Lopes, Danter Navar da Silva, Fernando Marques Lusvarghi, Paulo Sérgio Kroeff, Israel Nogueira e Souza, Sebastião Lucas da Silva Gil, Euler da Silva Machado, Fernando Baum Salomon, Caren Cristiane Greef de Oliveira, Ronaldo Luis Sembranelli, Marcos da Silva Kronhardt, Fabiano Alves da Silva e Ana Carolina de Oliveira Lopes. Entre os indiciados, estão os sócios da empresa e pessoas suspeitas de operar o esquema criminoso. A investigação segue.
Procurada por GaúchaZH, a defesa da Unick afirmou que "prefere não se manifestar nesse momento". A reportagem ainda tenta a posição dos 13 indiciados.
A investigação
A Operação Lamanai, que teve apoio da Receita Federal, foi deflagrada em 17 de outubro e resultou na prisão de dez pessoas. Foram cumpridos na oportunidade 65 mandados de busca e apreensão  nas cidades de Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo, Caxias do Sul, Curitiba (PR), Bragança Paulista (SP), Palmas (TO) e Brasília (DF). Segundo a PF, a organização criminosa sediada em São Leopoldo atuava no mercado financeiro paralelo, sem autorização das autoridades competentes.
A promessa de lucro de 100% sobre o valor investido em até seis meses teria atraído um milhão de clientes para os negócios da Unick. Os pagamentos das aplicações podiam ser feitos por boleto, com investimento mínimo de R$ 99. Segundo a Polícia Federal, a empresa gaúcha teria, atualmente, 740 mil cadastros ativos em todo o Brasil. Entre 2017 e o começo deste ano, os retornos prometidos aos clientes foram cumpridos, conforme a PF. 
Os pagamentos teriam permitido fôlego para atração de novos investidores. A remuneração dos clientes se baseava, de acordo com a investigação, na lógica de que os mais antigos investidores seriam subsidiados com o dinheiro dos novos participantes, o que caracterizaria modalidade de pirâmide. Conforme a PF, houve um momento em que, com o aumento do volume de clientes, a captação da Unick teria se tornado menor do que o resgate e os recursos para pagamento dos investidores acabaram se esgotando. A captação de recursos de terceiros deve ser autorizada pelo Banco Central (BC).
O BC obriga que essas empresas tenham base financeira própria para fazer frente à captação de recursos. Quando isso não ocorre, os investidores têm prejuízo. O valor repassado pelos clientes seria investido pela Unick, segundo a PF, no mercado de Foreign Exchange (Forex), na compra e venda de moedas virtuais, operações somente autorizadas às instituições financeiras oficiais, o que não é o caso da Unick.
Investigação semelhante
Em maio, a PF realizou a Operação Egypto para combater crimes semelhantes. Em julho, a Justiça Federal aceitou denúncia contra os 15 acusados de integrar organização criminosa que operava instituição financeira que captava recursos para investimento no mercado de criptomoedas. Conforme as investigações, a Indeal, de Novo Hamburgo, deve cerca de R$ 1,1 bilhão a 23,2 mil clientes.

Fonte: Gaúcha ZH

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