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| 04:46 | Segurança 4 min de leitura

Após sacar R$ 99 milhões, advogado do RS tem bens bloqueados

Justiça decretou indisponibilidade total dos bens de Maurício Dal Agnol

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Justiça decretou indisponibilidade total dos bens de Maurício Dal Agnol
Foto: Reprodução RBS TV
Preso na noite de segunda-feira (22) em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, Maurício Dal Agnol sacou R$ 99 milhões de várias contas bancárias nos últimos três meses. A movimentação foi revelada com a quebra do sigilo bancário do advogado suspeito de aplicar um golpe milionário em mais de 30 mil clientes e fez a Justiça decretar a indisponibilidade total dos bens do advogado. 
A decisão é do juiz Sebastião Francisco da Rosa Marinho, da 4ª Vara Cível de Passo Fundo, e atende pedido da Defensoria Pública do Estado. Foram bloqueados todos os bens móveis e imóveis do advogado, bem como os valores existentes nas contas bancárias em seu nome. Mais cedo, a Justiça já havia bloqueado imóveis de Dal Agnol em Bento Gonçalves e em Passo Fundo. O objetivo é garantir o ressarcimento das vítimas do golpe.
O advogado foi preso na noite de segunda-feira (22) quando dirigia uma caminhonete na Avenida Brasil, uma das vias mais movimentadas de Passo Fundo. No carro dele, a Polícia Federal apreendeu R$ 200 mil em dinheiro e um passaporte com visto norte-americano. A polícia diz que o advogado, réu em processo penal na Justiça de Passo Fundo, pretendia deixar o país ainda na noite de terça-feira (23).
 
“Nós tivemos informes e ele estava sendo monitorado pela Polícia Federal de que possivelmente ele poderia fugir, dificultando a aplicação da lei penal”, afirma o promotor de Justiça Álvaro Luiz Poglia.
A prisão preventiva do advogado foi decretada pela Justiça a pedido do MP. Segundo o promotor Júlio Balladrin, Dal Agnol falsificou um alvará de acordo judicial no qual a empresa telefônica Brasil Telecom (BRT) repassa R$ 5 milhões a um grupo de clientes dele. Ele teria recortado o documento, fraudado as informações e repassado apenas cerca de R$ 50 mil aos clientes.
O esquema teria tornado o advogado milionário, revelam as investigações. De acordo com a Polícia Federal, o advogado fazia acordos judiciais em nome dos clientes e não repassava a eles os ganhos das causas ou repassava apenas uma parte dos valores. A maioria dos processos era contra a empresa de telefonia Brasil Telecom (BRT), movidos por antigos acionistas da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), que exigiam reajuste nos valores pagos a eles pelas ações da empresa. A suspeita é de que o golpe ultrapasse os R$ 100 milhões.
Dal Agnol responde a uma ação penal na 3ª Vara Criminal de Passo Fundo por apropriação indébita e formação de quadrilha. Ele chegou a ter a prisão decretada na Operação Carmelina, deflagrada no dia 21 de fevereiro pela Polícia Federal, e ficou foragido no exterior. No mês passado, ele se apresentou à Justiça de Passo Fundo e obteve um habeas corpus.
Nesta terça-feira (23), o Tribunal de Justiça negou um novo pedido de liberdade para o advogado. Ele foi levado para o Presídio Regional de Passo Fundo. Ele permanece em uma cela especial onde não tem contato com outros presos. Segundo informações da direção do presídio ele já recebeu a visita de um advogado. Os defensores de Dal Agnol disseram que não vão se manifestar.
Operação Carmelina
Segundo a Polícia Federal, um grupo de advogados e contadores, comandados por Dal Agnol, procurava os clientes com a proposta de entrar com ações na Justiça contra empresas de telefonia fixa. Os clientes ganhavam a causa, mas os advogados repassavam a eles uma quantia muito menor da que havia sido estipulada na ação. O esquema fez o advogado enriquecer rapidamente, diz a PF.
Ao cumprir mandados de busca na cidade do Norte do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do suspeito. Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis.
A Operação Carmelina foi desencadeada em Passo Fundo e em Bento Gonçalves, na Serra. Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia e de contabilidade e em uma residência. A operação foi batizada de Carmelina porque este era o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz com o dinheiro.

Fonte: G1

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