Facebook Instagram X WhatsApp


| 08:05 | Geral 4 min de leitura

Acervo de arte de Beltrame pode ser ''banal'', segundo especialistas

Avaliadores não acreditam que coleção alcance o valor divulgado de R$ 20 milhões

Compartilhar:
Avaliadores não acreditam que coleção alcance o valor divulgado de R$ 20 milhões
Quadro atribuído a Burle Marx, acima da cama, pode ser o item mais valioso da apreensão caso seja comprovada autenticidade - Polícia Federal / Divulga
Nesta terça-feira (23), a Polícia Federal (PF) apreendeu 300 obras de arte em um apartamento de Alberto Beltrame no Centro Histórico de Porto Alegre. O gaúcho é secretário de Saúde no Pará e está sendo investigado por uma suposta fraude na compra de respiradores.
A partir das imagens divulgadas pela PF, em que é possível observar cerca de 70 itens, especialistas convidados por GaúchaZH identificaram com certa facilidade prováveis trabalhos de artistas de projeção nacional, como Djanira e Vicente do Rego Monteiro, e também cogitaram que duas gravuras possam ser de Di Cavalcanti e uma tela seja de Burle Marx. Ainda é preciso verificar a autenticidade de todos os itens.
A PF divulgou que um especialista estimou o valor dos trabalhos em R$ 20 milhões, e até a Secretaria de Cultura do Estado pediu a transferência do acervo para o Margs. Nos entanto, avaliadores apontam que a expectativa em torno da apreensão precisa ser relativizada.
— É um acervo banal, normal para alguém que compra e gosta de arte. Conheço dezenas de apartamentos e casas em Porto Alegre e em Caxias do Sul que têm conjuntos de qualidade similar ou superior — pondera o professor José Francisco Alves.
Alves presta consultoria a colecionadores do Rio Grande do Sul. Segundo ele, há diversos advogados, diplomatas, empresários e médicos com acervos divididos entre cômodos, banheiros e jardins. Ele ainda aponta que não classifica como uma coleção a reunião de trabalhos que viu pelas fotos.
— Em arte, chamamos de coleção o resultado de quem compra coisas relacionadas entre si, muitas vezes sob orientação. Acervo é quem vai comprando pelo impulso obras desconectadas – explica Alves.
Para que o acervo atingisse o valor de R$ 20 milhões, cada uma das 300 obras teria que valer, em média, R$ 66 mil. Alves, no entanto, aponta que muitos quadros e gravuras, mesmo originais, não valeriam mais que R$ 1,5 mil.
Segundo o dono de uma galeria de Porto Alegre que não quis se identificar, o único trabalho visto nas imagens que pode valer um montante mais expressivo seria uma tela atribuída a Burle Marx:
— Ainda tenho dúvida de que seja de fato um Burle Marx, mas se for, consegue arrancar em um leilão a partir de R$ 300 mil.
O galerista ainda afirma que dificilmente outro trabalho visto nas fotos alcançaria valor superior a R$ 80 mil. Dos artistas locais, o icônico autorretrato de Aldo Locatelli talvez seja o mais valioso, mas não deve ultrapassar a casa dos R$ 50 mil.
 — Há pouco tempo presenciei a venda de um quadro do Ado Malagoli com as mesmas dimensões daquele que aparece em uma foto imediatamente abaixo de autorretrato do Locatelli. Saiu por R$ 8 mil — conta o galerista.
Pela internet, antiquários oferecem originais certificados de artistas como Waldeny Elias, Juarez Machado e Reynaldo Fonseca, que figuram repetidas vezes nas paredes do apartamento, por valores entre R$ 800 e R$ 1,3 mil.
— Sem dúvida é uma coleção de quem gosta de arte, mas não é um acervo de peso — resume o galerista.
O futuro do acervo
A Secretaria de Cultura do RS encaminhou para a PF, no mesmo dia da apreensão, um ofício pedindo que o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) se tornasse o fiel depositário do acervo apreendido.
Em entrevista ao programa Gaúcha+, nesta quarta-feira (24), a secretária Beatriz Araújo admitiu que o Estado não tem uma estimativa do valor das obras. No entanto, ressaltou que um técnico ligado à secretaria analisou a apreensão e confirmou a autenticidade dos trabalhos.
 – É um acervo valioso, que deve estar acondicionado de maneira adequada. E o Margs está plenamente preparado para isso, com segurança, temperatura e ambiente adequados. Oportunamente, também será possível exibir esses trabalhos à comunidade – afirmou Beatriz.
Apesar de não ser considerada por especialistas como “um acervo de peso”, a coleção apreendida pode conter trabalhos de importantes artistas brasileiros que ainda não têm trabalhos no Margs, como Djanira e Vicente do Rego Monteiro. Além disso, poderá incrementar a já robusta coleção de artistas locais com itens de Aldo Locatelli, Ado Malagoli e Pedro Weingärtner.
Segundo a Secretaria, o pedido de transferência para o Margs aguarda deferimento do Superior Tribunal de Justiça. Não há uma data estimada para o pleito ocorrer.

Fonte: Gaúcha ZH

Avaliadores não acreditam que coleção alcance o valor divulgado de R$ 20 milhões
Polícia Federal / Divulgação
Mais notícias sobre GERAL
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade