Facebook Instagram X WhatsApp


| 05:50 | Geral 5 min de leitura

Falhas na gestão levam cooperativas e empresas a enfrentarem problemas financeiros

Pelo menos cinco cooperativas gaúchas entraram em liquidação voluntária desde 2012

Compartilhar:
Pelo menos cinco cooperativas gaúchas entraram em liquidação voluntária desde 2012
Cotrijui (na foto, a unidade de Agusto Pestana) soma mais de R$ 1 bilhão em débitos e entrou em liquidação voluntária (Foto: Prisicla Heldt / Especial
Em contraste com o  momento protagonizado pelo agronegócio brasileiro nos últimos anos, cooperativas e cerealistas gaúchas lutam para honrar dívidas com produtores rurais e fornecedores na tentativa de não desaparecer do mercado. No mesmo ano em que o Rio Grande do Sul colheu safra histórica de grãos, empresas ligadas ao setor entraram em recuperação judicial e liquidação voluntária para tentar reverter crises. Como explicar o antagonismo de cenários? Em uma avaliação simples, a má gestão é apontada como responsável. Ao mergulhar na individualidade, surgem outras explicações para a decadência – como a euforia exacerbada diante da alta de preços e investimentos audaciosos.
Pelo menos cinco cooperativas gaúchas entraram em liquidação voluntária desde 2012. A mais recente foi a Cotrijui, uma das maiores do Estado em associados e faturamento, que aderiu ao mecanismo há pouco mais de uma semana. Com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, a cooperativa escapou, pelo menos por enquanto, de ter a unidade de Chiapetta leiloada devido a execução de cobrança referente a um empréstimo do BNDES. Agora, com prazo de um ano, prorrogável por mais um, os dirigentes buscarão sanar dívidas e, por consequência, proteger o patrimônio avaliado atualmente em mais de R$ 2 bilhões.
– Tentaremos repactuar nossas dívidas com a prestação de serviços de estocagem de grãos e com parcerias comerciais. Cogitamos vender alguns bens, como fazendas em Mato Grosso e prédios urbanos – adianta o presidente liquidante, Vanderlei Fragoso, nomeado em uma assembleia tumultuada e contestada por parte dos associados.
À frente da Cotrijui há pouco mais de um ano, Fragoso atribuiu os débitos acumulados a administrações malconduzidas ao longo da última década:
– Há um evidente descompasso. O agronegócio cresceu, e a cooperativa entrou em decadência.
Situações semelhantes em diferentes cidades
Na região das Missões, um dos liquidantes da Cotrisa, com sede em Santo Ângelo, o contador Valdir da Silva Lima compara as cooperativas a prefeituras, por terem, muitas vezes, sistemas de gestão e riscos semelhantes.
– A cooperativa não pode ser um cabide de empregos. Estamos conseguindo organizar a casa, acreditamos que será possível dar a volta por cima – diz Lima.
Também em liquidação voluntária, Cotrimaio, Comtul e Coagrijal (veja no quadro ao lado) buscam alternativas para resguardar o patrimônio dos associados.
– Essas crises não são recentes, vinham se arrastando há anos e acabaram por estourar agora – avalia Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro-RS).
Em comum, analisa o dirigente, as dificuldades têm em seu DNA  além de gestões pouco profissionais, também o atual estreitamento de margens e necessidade de maior cautela na hora de expandir. Uma das principais cooperativas do Estado, a Cotrijal tem como premissa “fazer escala antes de querer crescer.”
– Cada unidade precisa se pagar. Sempre que nós temos oportunidade de expandir os negócios, avaliamos se não estamos dando um passo maior do que a perna – ressalta o presidente da Cotrijal, Nei Mânica.
Em liquidação voluntária
Cotrijui - Ijuí: entrou em liquidação voluntária em 27 de setembro. Com dívida de mais de R$ 1 bilhão, faturou cerca de R$ 500 milhões em 2013. Foi fundada há 57 anos, tem 19 mil associados e 1,8 mil funcionários.
Cotrimaio - Três de Maio: em liquidação voluntária há um ano e meio, tem 11,5 mil associados. Com R$ 200 milhões em dívidas, faturou R$ 280 milhões em 2013. Foi fundada em 1968.
Cotrisa - Santo Ângelo: com dívida de R$ 211 milhões, entrou em liquidação em junho. Fundada em 1956, tem 9,3 mil associados e faturou R$ 45 milhões no ano passado.
Coagrijal - Jaguari: completou em julho dois anos de processo de liquidação. Nesse período, pagou 3% da dívida de R$ 40 milhões e renegociou parte do restante. No ano passado, faturou R$ 39 milhões. A cooperativa, com 1,4 mil associados, foi fundada em 1957.
Comtul - Tucunduva: fundada há 57 anos, aderiu à liquidação em julho. Tem cerca de 5 mil sócios. Procurada por ZH, a direção não informou o valor da dívida, nem o faturamento.
Após expansão, Camera pede recuperação judicial
Se a decadência em cooperativas se arrasta há anos, a crise em empresas cerealistas tem origem recente. No último ano, após reduzir pela metade o faturamento e o número de funcionários, a Camera entrou com pedido de recuperação judicial, em setembro, na Vara de Falências de Porto Alegre.
O processo foi remetido à Justiça de Santa Rosa, que ainda não se manifestou. O endividamento é de quase R$ 800 milhões. Uma das causas da crise, diz o diretor Roberto Kist, foi tentar, a partir de 2009, industrializar grãos, por meio de fábricas de óleos, farelos e rações para diversificar o negócio familiar, com mais de 40 anos.
– Éramos uma empresa e nos transformamos em uma indústria.
A Camera prevê faturar em torno de R$ 900 milhões neste ano, ante R$ 2,4 bilhões em 2013. Uma das apostas frustradas foi em usinas para produção de biodiesel – que só em 2014 recebeu impulso com aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel. As duas unidades de processamento de óleo, em Ijuí e Estrela, estão paralisadas.
– A soja atingiu patamares recordes, tornando a exportação vantajosa ao produtor. Não tivemos como concorrer com a China e segurar o grão aqui para abastecer nossas indústrias – diz Kist.
Com capacidade para armazenar 1 milhão de toneladas e com unidades em 60 municípios gaúchos, a empresa pretende voltar ao foco de cerealista.
– Não vamos abandonar a indústria, mas recalibrar os negócios para nos adequar ao atual ciclo econômico e preservar o patrimônio – explica o executivo.
Neste ano, ao menos duas empresas do setor fecharam as portas: a Multirural, de Tupanciretã, e a Cereais Planalto, de Tapejara.
– O mercado tem altos e baixos. É preciso conter a euforia em momentos de alta de preço. O retorno dos investimentos não costuma ser imediato – afirma Dilermando Rostirolla, presidente da Associação das Cerealistas do Rio Grande do Sul (Acergs).

Fonte: Zero Hora

Pelo menos cinco cooperativas gaúchas entraram em liquidação voluntária desde 2012
Foto: Priscila Heldt, especial
Mais notícias sobre GERAL
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade