Facebook Instagram X WhatsApp


| 06:48 | Geral 6 min de leitura

Proposta do governo federal para substituir Bolsa Família causa turbulência no mercado

Planalto anunciou que pretende financiar o novo programa, chamado de Renda Cidadã, com verbas do Fundeb e de precatórios, o que teve impacto nos juros, no dólar e na Bolsa

Compartilhar:
Planalto anunciou que pretende financiar o novo programa, chamado de Renda Cidadã, com verbas do Fundeb e de precatórios, o que teve impacto nos juros, no dólar e na Bolsa
Divulgação
O plano do governo federal de substituir o Bolsa Família com um novo programa de transferência de renda teve um novo capítulo nesta segunda-feira (28). O governo federal anunciou as bases para o novo programa social, o Renda Cidadã, afirmando que ele será financiado com recursos que iriam para o pagamento de precatórios (valores devidos pela União após sentença definitiva na Justiça) e para o Novo Fundeb.
A reação do mercado foi tensa.  O dólar testou as máximas em quatro meses e chegou a bater na máxima do dia em R$ 5,67, o maior valor diário desde 21 de maio, quando foi a R$ 5,70. Nesse ambiente de nervosismo, o Banco Central precisou intervir e vendeu US$ 877 milhões no mercado à vista, no primeiro leilão neste segmento desde 21 de agosto. Assim, o dólar arrefeceu o ritmo de valorização, ajudado também pelo fato de a oferta do BC ter coincidido com perda de fôlego da moeda americana no mercado internacional. No final do dia, o dólar à vista encerrou com valorização de 1,44%, cotado em R$ 5,6353, o maior nível desde o fechamento de 20 de maio.  
Na Bolsa de Valores de São Paulo, no pior momento do dia, o principal índice da B3 foi ao menor nível desde 29 de junho e, ao final da sessão, mostrava perda de 2,41%, aos 94.666,37 pontos - menor patamar desde o encerramento de 26 de junho, então aos 93.834,49 pontos. Nos juros, algumas taxas de médio e longo prazo chegaram a subir até 75 pontos-base nas máximas do dia.  
— O dia estava muito bom lá fora, apesar dos receios com a segunda onda do coronavírus na Europa. Daí os fatores locais acabaram dando esse grande start da azedada de humor — afirmou o gestor de renda fixa da Sicredi Asset, Cassio Andrade Xavier. 
O gerente de Tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, destaca que o dia no mercado de câmbio foi "nervoso", com o anúncio do financiamento do programa Renda Cidadã provocando "indisposição", fazendo o investidor buscar proteção no dólar. 
— Vamos ter que aguardar cenas do próximo capítulo. O problema é como fica o Orçamento — disse ele. 
Além disso, o líder do governo federal na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), deixou claro que não há votos suficientes para aprovar a reforma tributária, o que piorou ainda mais o humor dos investidores.
— Caiu muito mal a falta de acordo na reunião de líderes sobre a reforma tributária. Com reformas necessárias ainda distantes, o que prevalece é o encontro com a verdade, após um avanço prolongado movido basicamente por fluxo doméstico. Ainda sem reformas, fala-se agora no Renda Cidadã, se preciso for até tirando de precatórios. Assim, Bolsonaro volta a se mostrar mais preocupado com a reeleição do que com o ajuste das contas e as reformas —  diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. — Apesar de toda retórica do Guedes, a agenda econômica está emperrada, houve poucos avanços neste governo — completou.
Críticas de organizações
Organizações da sociedade civil ligadas à defesa da renda básica e da educação reagiram à proposta do governo de bancar o novo programa social, o Renda Cidadã, com recursos do Fundeb, o fundo voltado para a Educação Básica.
A Rede Brasileira de Renda Básica, que reúne 160 entidades, alerta que o uso dessa verba para bancar gastos da assistência social é inconstitucional.  "É descabido que o governo aponte para o Fundeb como fonte de recursos para a criação de seu programa, algo já rejeitado pelo debate público", critica a Rede em nota.
Além disso, a diretora de Relações Institucionais da Rede, Paola Carvalho, considera que a inclusão de 10 milhões de novos beneficiários no programa social, como planejado pelo governo, é bastante acanhada.
— A fila de espera para o Bolsa Família chegava a 2 milhões de famílias antes mesmo da pandemia. Soma-se a isso a defasagem dos valores do benefício, que vem se acumulando há anos — alerta Paola. 
Segunda ela, a pandemia revelou números de desigualdade econômica e social que exigem das políticas uma aproximação a uma renda básica, universal e incondicional. 
A presidente executiva do Todos pela Educação, Priscila Cruz, também divulgou nota com duras críticas. Nas redes sociais, ela destaca que o Fundeb só pode ser utilizado para manutenção e desenvolvimento do ensino. "Já vimos essa tentativa de burlar a lei do teto (de gastos) usando o Fundeb como hospedeiro. A Câmara dos Deputados não permitiu", escreveu. Segundo ela, o Congresso precisa fazer frente a esse tipo de manobra. 
Governo nega "pedalada"
No final do dia, o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho,  disse ao Estadão que é completamente equivocado comparar o adiamento de pagamento de precatórios (valores devidos pela União após sentença definitiva na Justiça) a uma pedalada fiscal. 
Bezerra ponderou que o Orçamento está sem gordura e a prioridade que se que se impõe é a de assistir os que vivem a abaixo da linha da pobreza. Na proposta orçamentária de 2021, R$ 54,7 bilhões estão reservados para o pagamento dos precatórios, sendo R$ 22,2 bilhões em benefícios do INSS, R$ 10,5 bilhões em gastos com pessoal da União, R$ 1,4 bilhão em benefícios do BPC (pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) e R$ 26,6 bilhões em outros tipos de débitos do governo com seus credores. O valor total é o dobro dos investimentos do governo federal programados para 2021.
Ele informou que o uso dos recursos dos precatórios e de parte do Fundeb, o fundo para a Educação Básica, abre um espaço de R$ 40 bilhões. 
— Está correto pagar R$ 50 bilhões de precatórios e investir R$ 26 bilhões apenas? — criticou.
Para o líder, a proposta valoriza o teto de gastos, mecanismo que limita o avanço das despesas à inflação, e não significa um "drible", já que os recursos serão utilizados para manter as crianças nas escolas e reduzir a evasão escolar.
A fala de Bezerra fecha com o que disse Paulo Guedes, ministro da Economia, mais cedo. 
— O dinheiro do Brasil estava todo carimbado. Vamos começar agora progressivamente a reavaliar o uso dos recursos — afirmou.

Fonte: GZH

Mais notícias sobre GERAL
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade