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| 07:41 | Política 4 min de leitura

Com plano de segurança sanitária, Justiça Eleitoral se mobiliza para evitar abstenção recorde no RS na eleição 2020

Desafio é significativo não só pelo receio despertado pelo coronavírus: nas últimas duas décadas, índices de abstenção apresentaram tendência de crescimento acelerado

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Desafio é significativo não só pelo receio despertado pelo coronavírus: nas últimas duas décadas, índices de abstenção apresentaram tendência de crescimento acelerado
Servidores da Justiça Eleitoral separam frascos com álcool que serão enviados aos locais de votação no RS - André Ávila / Agencia RBS

Sob risco de abstenção recorde causada pela pandemia de coronavírus, candidatos e autoridades estão colocando em prática estratégias para mobilizar os eleitores a votar no Rio Grande do Sul em 15 de novembro. O esforço para garantir que a população exerça o direito de escolha por meio de ações de campanha e medidas sanitárias da Justiça Eleitoral já revela resultados: em Porto Alegre, o percentual de pessoas dispostas a se dirigir às urnas apesar do vírus saltou de 72% para 80% em pesquisas Ibope realizadas ao longo de outubro. 

 

Mas o desafio é significativo não somente pelo receio despertado pelo novo vírus: nas últimas duas décadas, os índices de abstenção apresentaram tendência de crescimento acelerado no Estado. Entre as eleições de 2000 e 2018, o percentual de ausentes disparou 63% em razão da perda de interesse de parte da população em participar diretamente do processo. 


A combinação entre esse desencanto e o medo de contrair a covid-19 poderia resultar em um comparecimento ainda mais tímido às seções eleitorais na próxima semana. Para o cientista político Rodrigo Stumpf González, isso não faria bem à democracia. 

 

— As abstenções dos últimos anos não chegam a ser graves porque o número de votantes sempre passou de 60%, o suficiente para legitimar o sistema. O problema é que quem não participa não se sente comprometido com os resultados depois, não se sente parte da comunidade política para fiscalizar e cobrar da pessoa em quem votou — observa González, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

 

No Estado, nos últimos 20 anos, o maior índice de ausência em um primeiro turno ocorreu na eleição presidencial de 2018, quando 18% dos eleitores não apareceram. Para atenuar os riscos à saúde, tranquilizar eleitores e mesários e evitar que essa cifra aumente ainda mais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou um plano de segurança sanitária elaborado em parceria com especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e dos Hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, de São Paulo. 

 

As medidas incluem desde a oferta de álcool gel nos locais de votação, que terão horário ampliado em uma hora, das 7h às 17h, até a distribuição de milhares de máscaras e escudos faciais para quem for trabalhar nas seções — só no Rio Grande do Sul, serão disponibilizados 633,6 mil equipamentos do tipo aos mesários, alvo de especial atenção das autoridades. Haverá ainda adesivos demarcando o distanciamento mínimo nas filas e rígido protocolo a ser seguido na hora do voto. Quem comparecer sem máscara, não poderá acessar a urna (veja os detalhes no infográfico). 

 

As ações de prevenção reforçam a decisão de jovens como Henrique Soares, 16 anos, morador da Capital, de estrear o título de eleitor no dia 15. Embora, segundo a pesquisa Ibope, a faixa entre 16 e 24 anos seja a menos disposta a comparecer às seções eleitorais na Capital (72% disseram ter certeza de que vão votar), o aluno do Colégio Farroupilha considera fundamental depositar suas crenças na urna eletrônica. 

 

— Quando fiz o título, em janeiro, não tinha ideia de que iria ocorrer essa pandemia. Mas vou votar porque quero contribuir com os meus ideais para o lugar onde cresci e onde eu vivo — sustenta o estudante. 

 

Para que mais pessoas sigam o exemplo de Henrique, o objetivo do TSE, a partir de agora, é disseminar as orientações à população e garantir que todos respeitem as regras. A principal mensagem da Justiça Eleitoral é para que as pessoas permaneçam de máscara desde o momento em que saírem de casa, evitando contatos físicos e cumprindo o dever cívico da forma mais ágil possível, sem permanecer por tempo desnecessário nos locais de votação.

 

— O cuidado com a saúde é muito importante, e o direito de votar e ajudar a escolher o rumo da sua cidade pelos próximos quatro anos vem logo em seguida. Convocamos os eleitores a participar desse momento relevante para a democracia com muita responsabilidade — disse o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, no lançamento do plano.

Fonte: GZH

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