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24/11/2021 | 05:13 | Polícia

Quadrilha simulava até velório de adolescente para enganar vítimas no golpe dos nudes

Nesta terça-feira (23), foram presas em Novo Hamburgo uma mulher que aparece nas imagens e outras duas suspeitas

Mulher presa nesta terça ajudava a gravar vídeos para ameaçar vítimas - Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A quadrilha que extorquia vítimas por meio do golpe dos nudes chegou a fazer vídeos de encenações para enganar e amedrontar as vítimas. Em um dos vídeos, os criminosos forjaram um depoimento à polícia — veja baixo — e, em outro, chegaram a simular o velório de uma adolescente, pedindo dinheiro para arcar com o funeral. Nesta terça-feira (23), foram presas em  Novo Hamburgo uma mulher que aparece nas imagens e outras duas suspeitas.

De acordo com a Polícia Civil, para aplicar o golpe, a quadrilha criava perfis em redes, como no Facebook, se passando por uma adolescente, e adicionava homens mais velhos. Depois, o grupo passava a conversar com as vítimas e a trocar imagens íntimas. Em determinado momento, um dos golpistas afirmava ser o familiar da adolescente ou até mesmo o advogado da família, e passava a exigir dinheiro para não acionar as autoridades. Os criminosos também se passavam por agentes policiais, cobrando para evitar prisões.

Era nesse momento que vídeos eram enviados às vítimas. Para amedrontar os homens, os criminosos montaram uma falsa delegacia de polícia, onde fizeram as imagens internas simulando a tramitação de investigações e até a expedição de supostos mandados de prisão. Em um dos vídeos, uma mulher finge fazer um registro policial.

Em um dos casos, os golpistas se passam por um familiar que afirma que precisa de dinheiro para pagar o tratamento psicológico da adolescente. Em outro, o grupo afirma que a jovem teria cometido suicídio:

—  Eles fizeram vídeo mostrando o carro da perícia, dizendo que a jovem teria se suicidado depois da troca de mensagens. Em outro, eles simulam um funeral, com pessoas chorando, e pedem dinheiro para arcar com os custos do enterro. Muitas vítimas preferiam pagar para não serem expostas ou presas, acreditando na quadrilha — explica o delegado André Anicet, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que comandou a ação nesta manhã.

Segundo ele, a média de valores pedida pelo grupo variava. Algumas vítimas combinavam pagar "mensalidade" aos criminosos, no valor de R$ 400. Outras chegaram a desembolsar R$300 mil ao longo do período em que foram extorquidas. As vítimas são homens com idades entre 30 e 60 anos.

Vídeos "viralizaram" entre os criminosos, afirma delegado
De acordo com Anicet, os vídeos feitos pelo grupo se espalharam entre os criminosos. O delegado afirma que o núcleo responsável pelo golpe é do Estado, e que a fraude se difundiu dentro de cadeias gaúchas. O golpe é aplicado pelo menos desde 2019, afirma o delegado:

— Esse vídeo acabou viralizando entre os criminosos. Muitos deles passaram a usar, de diversas formas. Temos vítimas em diversos Estados do país.

Para se proteger desse tipo de golpe, o delegado orienta que as pessoas desconfiem de pessoas desconhecidas que entrem em contato pela internet e que evitem fazer qualquer tipo de pagamento.

— Além disso, quando você envia esse tipo de imagem, pode acabar perdendo o controle sobre ela. Então, o ideal é evitar encaminhar esse conteúdo para pessoas que você não conhece — ressalta Anicet.

A operação desta desta terça, chamada de Sextorsion, foi deflagrada no Vale do Sinos, no Vale do Caí e na Serra. Foram cumpridos 10 mandados de busca e três de prisão. Além da mulher que aparece no vídeo, a filha dela, também suspeita de integrar a quadrilha — comandada por um detento —, foi detida em Novo Hamburgo e uma terceira mulher foi presa em Farroupilha. Mandados judiciais foram cumpridos ainda em Montenegro, onde o homem apontado como líder do grupo cumpre pena de prisão, e em Caxias do Sul.

A ofensiva desta terça-feira é o desdobramento de outras operações, deflagradas no dia 4 deste mês em Passo Fundo e em Erechim, de outra ação, no mesmo dia, envolvendo vítimas de São Paulo, e, mais recentemente, no dia 17 deste mês, com vítimas de Santa Catarina. Em todos os casos, o Deic atuou ao lado de agentes das respectivas regiões e Estados.

Os crimes apurados são de extorsão, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os investigados não tiveram os nomes divulgados.

Fonte: GZH

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