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| 05:33 | Segurança 5 min de leitura

"Deixar de falar não faz com que os crimes deixem de acontecer"

Somente neste ano em Passo Fundo, 90 agressores já foram presos por cometerem algum tipo de violência doméstica ou familiar contra a mulher

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Somente neste ano em Passo Fundo, 90 agressores já foram presos por cometerem algum tipo de violência doméstica ou familiar contra a mulher
Antes da criação da lei, a violência doméstica era tratada como um problema restrito à esfera privada dos casais. Mateus Bruxel / Agencia RBS

Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7) consolidada como uma política pública de prevenção à violência doméstica, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores. Referência internacional no enfrentamento à violência de gênero, a legislação transformou a forma como o Estado trata esses crimes mas, sozinha, ainda não é suficiente para impedir que novos casos aconteçam.

Antes da criação da lei, a violência doméstica era tratada como um problema restrito à esfera privada dos casais. Com a nova legislação, o que acontece dentro de casa passou a ser reconhecido como uma questão de interesse público, dando origem a uma política nacional de proteção às mulheres em situação de violência doméstica.

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7) consolidada como uma política pública de prevenção à violência doméstica, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores. Referência internacional no enfrentamento à violência de gênero, a legislação transformou a forma como o Estado trata esses crimes mas, sozinha, ainda não é suficiente para impedir que novos casos aconteçam.

Antes da criação da lei, a violência doméstica era tratada como um problema restrito à esfera privada dos casais. Com a nova legislação, o que acontece dentro de casa passou a ser reconhecido como uma questão de interesse público, dando origem a uma política nacional de proteção às mulheres em situação de violência doméstica.

— Os crimes eram tratados como infrações de menor potencial ofensivo, enquadrados na Lei nº 9.099/95. Muitas resultavam apenas em pagamento de cestas básicas ou medidas de baixa efetividade, transmitindo uma sensação de impunidade e desestimulando as denúncias.

A legislação também trouxe avanços no que diz respeito a proteção e bem-estar das vítimas: a Lei Maria da Penha é a primeira lei brasileira em que o objetivo central é a integridade física e mental da vítima, como explica a advogada e coordenadora do Projur da Universidade de Passo Fundo (UPF), Josiane Petry:

— A violência doméstica é diferente das demais porque, se alguém bateu no meu carro ou me ofende em uma rede social eu posso resolver isso criminalmente e talvez nunca mais encontrar esse agressor. Mas na violência doméstica, muitas vezes existem vínculos que não vão se apagar, sobretudo quando existem filhos. Por isso, olhamos primeiro para a vítima, garantir que ela esteja bem, para depois pensarmos no processo.

“É preciso falar, sensibilizar e chocar as pessoas, para termos uma consciência coletiva sobre os casos”

Somente neste ano em Passo Fundo, no norte do Estado, a média mensal é de 250 boletins de ocorrência registrados por violência de gênero. De janeiro a julho, 1.760 boletins de ocorrências foram registrados. Destes, apenas 90 agressores já foram presos por cometerem algum tipo de por violência doméstica ou familiar contra a mulher.

Apesar dos números alarmantes, Passo Fundo não registrou feminicídio neste ano e soma apenas uma tentativa de feminicídio, em abril. No cenário estadual, porém, a região norte e noroeste registraram nove feminicídios — equivalente a 20% dos 45 casos contabilizados no Estado até o momento.

Na visão da advogada, é preciso encarar os números de frente: pautar a sociedade como um todo a pensar coletivamente sobre nosso cenário, como explica:

— Não falar sobre os feminicídios não faz com que eles sejam evitados, ou que não aconteçam. É preciso falar, sensibilizar e chocar as pessoas sobre isso, para que possamos ter uma consciência coletiva, e demonstrar a urgência de políticas públicas, e inserir esse problema no orçamento público.

Evolução da lei: do monitoramento por tornozeleira à novas estratégias

Entre as mudanças e ampliações da lei ao longo das últimas duas décadas, a implementação do monitoramento eletrônico dos agressores com medida protetiva está entre os destaques. Desde 2025, a Justiça pode determinar o uso de tornozeleira eletrônica pelo agressor e um dispositivo de alerta para a vítima, que é avisada caso ele desrespeite a distância mínima estabelecida pela medida protetiva.

— Esse monitoramento eletrônico dos agressores pode nos oferecer uma possibilidade efetiva de controle das rotas desses indivíduos. Assim teremos uma maior possibilidade da efetividade das medidas  — avalia a advogada.

Na avaliação de Josiane, o próximo passo para fortalecer a política de enfrentamento à violência contra a mulher é garantir recursos permanentes para sua execução. Segundo ela, a existência de leis e mecanismos de proteção precisa ser acompanhada de investimento público para que a rede de atendimento funcione de forma efetiva.

— É preciso orçamento específico para aparelhar conselhos municipais de direitos da mulher, para oferecer suporte para as coordenadorias municipais. Nem toda mulher tem rede de apoio para cuidar de si e dos seus filhos. Na ausência dessa rede de apoio, o Estado precisa se fazer presente e se tornar essa rede de apoio — finaliza a advogada. 

Rede de proteção à mulher em Passo Fundo

Em Passo Fundo, é possível denunciar casos de violência contra a mulher na Polícia Civil. Veja os canais disponíveis:

  • Disque 180 (pelo telefone ou WhatsApp, no número (61) 99610-0180)
  • Faça uma denúncia — Polícia Civil
  • Juizado da Violência Doméstica: (54) 99988-0249
  • Patrulha Maria da Penha: (54) 98423-2056
  • Centro de Referência a Mulher: (54) 3313-8654

Procure ajuda

  • Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher: Rua Bento Gonçalves, nº 720, bairro Centro. Atendimento de segunda a sexta-feira, das 08h30min ao meio-dia, e das 13h30min às 18h.
  • Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento: Avenida Brasil Leste, nº 2271, bairro Petrópolis. Atendimento 24hs

Serviço do Projur UPF

O Projur, projeto de extensão da Universidade de Passo Fundo (UPF), presta atendimento gratuito para vítimas de violência doméstica na cidade. Há serviço gratuito de acompanhamento jurídico nos processos cíveis e criminais com audiências, ajuizamento de ações, contestações, instrumentalização dos procedimentos judiciais e acompanhamento na fase de investigação policial. 

  • Agendamento do atendimento: (54) 3316-8576
  • Atividades e material de prevenção: no Instagram, @ProjurMulhereDiversidade

Fonte: GZH

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