Facebook Instagram X WhatsApp


| 09:10 | Segurança 8 min de leitura

Dois anos depois, réu por assassinato de família em briga de trânsito em Porto Alegre segue preso, mas ainda não há data

Em janeiro de 2020, casal e filho foram assassinados a tiros na frente do caçula de oito anos e da nora

Compartilhar:
Em janeiro de 2020, casal e filho foram assassinados a tiros na frente do caçula de oito anos e da nora
Rafael com Fabiana e com o filho Gabriel: os três foram mortos após briga de trânsito - Arquivo pessoal / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Na próxima quarta-feira (26), um crime que chocou Porto Alegre completa dois anos. Rafael Zanetti Silva, 45 anos, a esposa Fabiana da Silveira Innocente Silva, 44, e o filho mais velho Gabriel da Silveira Innocente Silva, 20, foram mortos a tiros, durante briga de trânsito no bairro Lami, na Zona Sul. A família retornava de um aniversário, quando os três foram assassinados na frente do caçula, de oito anos, e da nora do casal, na época com 18. Réu, Dionathá Bitencourt Vidaletti, 26, segue preso, mas ainda não há data para o júri.

Em setembro, o juiz Roberto Coutinho Borba determinou que o caso seja decidido pelo Tribunal do Júri. No entanto, o Ministério Público, assim como a defesa, entrou com recurso, e o processo foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, em 10 de janeiro. O réu responde por três homicídios triplamente qualificados, com os agravantes de motivo fútil, por ter sido "perpetrado ensejando perigo comum", em função do horário e do local do crime, e sem dar chance de defesa à vítima.

Além de Dionathá, a mãe dele Neuza Regina Bitencourt Vidaletti também havia sido denunciada pelo Ministério Público como coautora — ela não chegou a ser indiciada pela Polícia Civil. O entendimento da acusação foi de que ela também contribuiu para os assassinatos. Isso porque pegou a arma dentro do carro e efetuou um disparo, antes de o filho assassinar a família durante a briga de trânsito.  

Dionathá tinha uma Ecosport vermelha, que estava estacionada em frente à casa da avó dele, em uma estrada do Lami, no extremo sul da Capital. Já a família Silva retornava de uma comemoração em um Aircross. O carro da família atingiu a Ecosport, e o Rafael, o motorista, não parou. Revoltado com a situação, Dionathá entrou no veículo e saiu em perseguição à família — a mãe dele também entrou no carro. Após alcançarem o Aircross, ambos motoristas pararam no acostamento, houve discussão e, durante a briga, Neuza pegou a arma no carro. Logo depois, o filho se apossou da pistola e disparou contra o casal e o filho deles.

No entanto, na sentença de setembro a Justiça definiu que Neuza não deve ser julgada pelos mesmos crimes que o filho. O entendimento é de que ela deve responder somente pelo tiro, pois não teria entregue voluntariamente a arma ao jovem. "Embora se possa cogitar que a acusada tenha exasperado o risco do resultado lesivo, quando pegou a pistola que estava no interior do automóvel e efetuou o disparo, não se pode olvidar de toda a sua conduta ao longo dos desdobramentos dos fatos", concluiu o juiz. O magistrado ainda ponderou que a mãe foi contra a perseguição realizada por Dionathá à família.

O juiz também definiu que o processo seja dividido, ainda assim, como houve recursos pelas duas partes, essa cisão não ocorreu até o momento. Primeiro é preciso aguardar a decisão do Tribunal de Justiça sobre o caso. Neste cenário, segundo informações da 1ª Vara do Júri ainda não é possível determinar quando o julgamento do réu deverá ocorrer, nem mesmo estimar se deve se dar ainda neste ano. Enquanto isso, Dionathá segue preso de forma preventiva — a mãe nunca chegou a ser detida.

"Estiquei os braços e atirei", narrou autor do crime
Dionathá e a mãe foram ouvidos durante o processo e ambos afirmaram que estavam na casa da família, quando ouviram o som da colisão. Disseram que, como Rafael não parou após o acidente, Dionathá decidiu ir atrás deles, e Neuza acompanhou o filho, tentando impedi-lo. Sobre a arma debaixo do banco, o réu alegou que havia pego a pistola ainda em casa porque na residência da avó sabia que estavam roubando gado nas proximidades. Mãe e filho alegaram que a arma era usada para proteção contra os assaltos no comércio da família. Neuza disse que só ficou sabendo da pistola dentro do carro durante a perseguição. Os dois alegaram que os tiros só foram dados porque foram agredidos pela família — as testemunhas não relatam isso.  

— Um deles me derrubou. Daí, no momento que eles me derrubaram, eu virei de lado e tentei correr em direção que tem um bar lá, um boteco. Começaram a dar chute, soco. Daí foi o momento que eu escutei um disparo e o grito: "Larga meu filho". Que foi a hora que eu consegui olhar para trás e ver a mãe com a arma. Daí eu vi a mãe com a arma na mão — narrou Dionathá, conforme transcrição que consta no processo.

Neuza também afirmou que o filho foi agredido por Rafael e Gabriel, chegando a cair no chão. E que, por isso, ela teria decidido pegar a arma dentro do carro e dar um tiro para o alto.

— Só quero que o meu filho pague pelo que é certo, pelo que é justo, não quero que pague em cima de mentira. Eu não aguentei ver aquilo, já tinha visto que estava a arma dentro do carro ali. Fui e dei um disparo para cima. Está todo mundo dizendo que foi para baixo, não foi, foi para cima. Eles estavam chutando o meu filho no chão — defendeu-se.

Mãe e filho foram questionados sobre o fato de que nenhuma testemunha relatou que eles tenham sido agredidos, e responderam que essa parte foi omitida.

— Fica difícil para mim entender isso tudo que aconteceu. Eu entendo assim, que, se ninguém tivesse me tocado, eu tenho certeza de que ele não tinha feito o que fez — disse Neuza.

Depois disso, os dois narram que o jovem tentou tirar a arma da mãe e que ela se recusava a entregar. Dionathá afirmou que, após pegar a pistola, retirou o carregador que estava no bolso e municiou a arma. Disse que, na sequência, voltou para o carro, na tentativa de ir embora, mas que o veículo não pegou. Segundo o relato deles, Neuza teria voltado para o carro, mas, neste momento, teria sido agredida pelo casal.

— E nisso eles abriram a porta e pegaram a mãe. E a mãe deu um grunhido. E na hora eu já não pensei mais nada. Só fiz a volta por trás do carro e dei uns dois, três disparos. E daí nisso veio o Gabriel correndo também e já atirei no Gabriel. Simplesmente estiquei os braços e atirei. Eu só queria defender a minha mãe e mais nada. Eu jamais pensava que isso ia acontecer na minha vida — sustentou.  

— Só escutei quatro estampidos. Quando escutei quatro estampidos, aí olhei meu filho já estava do meu lado sentado de novo. E ele disse: "Mãe, matei os três". Eu disse assim: "Como tu matou?". "Mãe, eu acho que eu matei os três". Aí eu disse para ele: "Só me tira daqui, meu filho. Só me tira daqui. Só isso que eu quero, só me tira daqui" — descreveu a mulher.  

Menino e jovem presenciaram crime
Dionathá foi questionado pela Justiça se sabia que havia uma criança dentro do carro da família — o menino de oito anos presenciou o assassinato dos pais e do irmão. Ele admitiu que tinha conhecimento, mas negou ter apontado a arma na direção dele ou da namorada de Gabriel, que permaneceu no veículo. A jovem de 18 anos também foi ouvida no processo. Ela relatou que a família regressava pela estrada, quando, em uma curva, bateram contra a Ecosport, mas que Rafael decidiu não parar e que a batida não parecia grave.

Quando chegaram no asfalto, perceberam que o mesmo veículo estava perseguindo a família e que, dentro dele, havia um jovem e uma mulher muito exaltados. Rafael só teria parado o Aircross após Gabriel puxar o freio de mão, para que o pai estacionasse. Após descerem do veículo, Rafael teria se apresentado. A jovem disse que não conseguiu visualizar tudo o que acontecia, mas o namorado teria derrapado no chão — ela não soube informar se ele foi derrubado ou caiu sozinho.

— Só que quando quando eu olhei, o Dionathá já estava com a arma e eu não vi de onde surgiu, não vi se estava com ele ou ele pegou de dentro do carro. Foi aí que quando a Fabiana viu que tinha gente com a arma ela voltou para o carro, ali no carona, aonde estava eu e o (cita nome de menino) para pegar o telefone dela. Daí ela falou que ia ligar para a polícia. Ela ligou começou a dizer que tinha uma velha apontando a arma para ela e que ela tinha uma criança dentro do carro — descreveu.

Logo depois, Dionathá teria atirado contra os três e fugido do local. A jovem contou ainda que o namorado foi baleado mais de uma vez.

— O Gabriel eu acho que tinha levado uns três tiros, que foi o único que estava vivo, que eu cheguei perto. O Rafael levou um no pescoço, a Fabiana também, o Gabriel levou um na mão direita, um na cabeça e um no peito. E só o que eu vi — disse.

Contraponto
GZH entrou em contato com o advogado Cristiano da Rosa, que informou que só se manifestará após o julgamento do caso. 

Fonte: GZH

Mais notícias sobre SEGURANÇA
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade