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23/02/2022 | 07:47 | Política

Comissão da Assembleia do RS aprova parecer favorável à cassação do deputado Ruy Irigaray

Segundo relatório, servidores comissionados do gabinete do parlamentar do PSL atuaram em desvio de função em reforma da casa da sogra. Parecer da CCJ será enviado para o plenário.

Segundo relatório, servidores comissionados do gabinete do parlamentar do PSL atuaram em desvio de função em reforma da casa da sogra. Parecer da CCJ será enviado para o plenário.
Deputado Ruy Irigaray (PSL) ? Foto: Guerreiro/Agência ALRS

O relator, Elton Weber (PSB), foi seguido pelos demais integrantes do colegiado, com a votação terminando em 10 votos a zero pelo acolhimento do parecer (veja a lista abaixo).

Irigaray foi investigado por usar assessores do parlamento para reformar a casa da sogra, na Zona Sul de Porto Alegre. O caso foi revelado em 14 de fevereiro de 2021 pelo Fantástico, em reportagem produzida pela RBS TV (veja abaixo).

No dia 14 de fevereiro, a desembargadora Matilde Chabar Maia, da 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, negou pedido do deputado para suspender o processo de cassação. Na ação, o parlamentar alega que "decidiu constituir um escritório parlamentar em uma residência, de propriedade de sua sogra, na Zona Sul de Porto Alegre, ante as restrições adotadas pela Assembleia Legislativa durante a pandemia".

Em janeiro deste ano, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Porto Alegre ajuizou uma ação civil pública contra Irigaray por suspeita de improbidade administrativa no caso. O Ministério Público afirma que houve "enriquecimento ilícito em benefício próprio e de seus familiares". A ação é limitada à matéria cível e pode resultar em medidas como restituição dos valores, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos e pagamento de multa.

Histórico
Irigaray foi eleito em 2018 com 102,1 mil votos prometendo lutar contra a corrupção. Nos primeiros anos do mandado de Eduardo Leite (PSDB) como governador, o deputado ocupou a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur).

A reportagem mostrou que uma residência de 400m², avaliada em R$ 2 milhões, no Bairro Ipanema, na Capital, foi utilizada como uma espécie de escritório do deputado. Em vez de trabalhar de suas casas durante a pandemia, como orientou o parlamento, os servidores comissionados foram remanejados para o imóvel.

De acordo com o relato de uma então assessora, a casa chegou a abrigar 15 servidores de Ruy Irigaray, que se dividiam entre realizar as tarefas do gabinete e executar uma série de serviços no imóvel, como troca de piso, reformas de banheiros e pinturas, como mostram os vídeos de celular. Os salários dos servidores pagos com dinheiro público variavam de R$ 2,7 mil até R$ 9 mil.

Além da reforma na casa da sogra, o deputado também teria organizado um suposto esquema de "rachadinha" para exigir parte dos salários de assessores, conforme relato de duas ex-funcionárias e promovido um "gabinete do ódio", responsável por críticas a adversários nas redes sociais.

A comissão da Assembleia que pediu a cassação de Irigaray pelo suposto desvio de função de servidores não encontrou provas da prática de "rachadinha" e da existência do "gabinete do ódio". A defesa ainda critica o processo de cassação na Assembleia, sustentando que houve motivação política contra o deputado.

Como cada deputado votou:
Favoráveis ao relatório:

  • Luiz Fernando Mainardi (PT)
  • Jeferson Fernandes (PT)
  • Sergio Turra (PP)
  • Carlos Búrigo (MDB)
  • Tenente Coronel Zucco (PSL)
  • Juliana Brizola (PDT)
  • Mateus Wesp (PSDB)
  • Elton Weber (PSB)
  • Fran Somensi (Republicanos)
  • Vilmar Zanchin (MDB)

Elizandro Sabino (PTB) e Frederico Antunes (PP) não votaram.

Fonte: G1
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