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11/06/2022 | 07:17 | Educação

Praticamente na metade do ano letivo, alunos da rede estadual ainda convivem com falta de professores em sala de aula

CPERS Sindicato e Secretaria Estadual de Educação (Seduc) divergem sobre problema

Pais reclamam que ano letivo já está quase na metade e o problema da falta de professores ainda persiste - Marcelo Casagrande / Agencia RBS

O Rio Grande do Sul tem déficit de ao menos 500 profissionais entre professores, especialistas em educação e funcionários na rede estadual de ensino. Os dados são do CPERS Sindicato, que realizou pesquisa em maio e chegou a esses números. Por outro lado, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) nega que há falta de professores na rede estadual. A pasta alega que os casos são pontuais e que, assim que comunicados à respectiva Coordenadoria Regional de Educação, são encaminhados para análise junto à mantenedora.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Gonçalves Dias, situada no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, está sem professor de Matemática desde o começo das aulas.  

— Este ano estamos sem professor de Matemática. Os pais já foram na Secretaria Estadual de Educação. A diretora da escola já foi mais de dez vezes e não tem resposta. Somente dizem que não existe professor de Matemática no Estado — relata Ellen Monique Rosa dos Santos, mãe de uma aluna que estuda desde a primeira série na instituição escolar.

A mãe critica a situação:

— Estamos quase nas férias de julho e não tem aula de Matemática. Alguns dias, simplesmente as crianças entram mais tarde, e em outros, saem mais cedo. Está essa bagunça. 

O problema é comum em outros municípios gaúchos. A Escola Estadual de Ensino Fundamental Josefina Jacques Noronha, de São Sebastião do Caí, está com falta de professores de Ciências desde março. O Instituto Estadual de Educação Cônego Luiz Walter Hanquet, localizado em Camaquã, passa por situação semelhante. Desde o retorno presencial das aulas, os alunos do segundo ano do Ensino Médio estão sem professor de Matemática. GZH ainda descobriu falta de professores de Matemática na Escola Estadual de Educação Básica Gentil Viegas Cardoso, em Alvorada.

Presidente em exercício do CPERS Sindicato, Alex Saratt espera do governo estadual que essa defasagem de professores seja corrigida.

— Nós identificamos mais de 500 educadores que estariam faltando. É um universo pequeno dentro do quadro geral do Estado. E já nesse universo pequeno que pesquisamos temos um número elevado de falta de profissionais — explica, ressaltando que a pesquisa foi feita em apenas 13% do total das escolas estaduais.

Ficar sem educadores na disciplina de matemática pode se tornar um grave problema. Matéria recente de GZH mostrou que apenas 1% dos estudantes matriculados no último ano do Ensino Médio em escolas estaduais demonstram desempenho adequado em Matemática, conforme dados divulgados pela Seduc no início de maio. A maioria desses alunos (92%) teve atuação abaixo do básico, enquanto 4% atingiram o nível básico e, 2%, o avançado. 

Ainda segundo a reportagem, os números são resultado da primeira edição de 2022 do Avaliar é Tri. Trata-se de uma avaliação diagnóstica criada pela própria Seduc, desde 2021, para observar as perdas de aprendizagem entre os estudantes no período da covid-19. A avaliação também tem o objetivo de identificar as áreas pedagógicas que precisam de reforço.

Saiba mais
Dados do Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (Inep) indicam no ano passado houve uma queda de quase 1,4 mil professores estaduais, ainda de acordo com o Inep. De 2016 a 2021, já são quase 11 mil docentes a menos em regência de classe na rede. 

O que diz a Seduc:
A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) respondeu, por meio de notas, sobre a situação. Confira o que a pasta alega:

"A Secretaria Estadual da Educação (Seduc) informa que não há falta de professores na rede estadual de educação. O que ocorre são casos pontuais que, assim que comunicados à respectiva Coordenadoria Regional de Educação, são encaminhados para análise junto à Mantenedora. As solicitações são atendidas por meio de novas contratações emergenciais e pela ampliação de carga horária dos docentes. A avaliação do quadro de recursos humanos é feita de forma constante e as demandas são imediatamente supridas por meio do banco de cadastro reserva.  

Tendo em vista a implantação do Programa Aprende Mais, com aumento de carga horária em Matemática e Língua Portuguesa para recuperar as defasagens de aprendizagens durante a pandemia, a Rede Estadual passa por uma readequação do número de profissionais nestes componentes curriculares.  Por isso, estão sendo chamados novos professores para suprir a demanda.      

A Seduc lançou, no primeiro semestre de 2022, o edital do Banco de Cadastro Temporário para professores e profissionais da área da Educação. A seleção, realizada no mês de fevereiro, é válida por 3 anos. Os docentes estão sendo chamados conforme as necessidades de cada escola. Ainda, há a previsão de lançamento de edital para um novo concurso público de professores no segundo semestre de 2022.  Atualmente, a Rede Estadual conta com 57 mil educadores e 2.376 escolas. 

Em relação ao caso da Escola Gonçalves Dias, de Porto Alegre, a Seduc informa que já autorizou a contratação emergencial de um novo profissional para a disciplina de Matemática, com carga horária de 9h, para suprir a demanda. A previsão é de que o professor já esteja em sala de aula em um prazo de até 15 dias.

Em relação ao preenchimento da vaga da disciplina de Ciências da Escola Josefina Jaques Noronha, uma nova professora já foi contratada. Sobre o Instituto Estadual de Educação Cônego Luiz Walter Hanquet, de Camaquã, a pasta respondeu que já autorizou a contratação emergencial de um profissional para a disciplina de Matemática com carga horária de 20 horas (ambos os professores dessas duas últimas escolas já deveriam estar em sala de aula esta semana).

No caso da Escola Gentil Viegas Cardoso, de Alvorada, a Seduc informa que já autorizou a contratação de dois professores de Matemática com carga horária de 27h cada um para suprir a demanda. A previsão é de que os docentes já estejam em sala de aula em um prazo máximo de 15 dias."

Fonte: GZH

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