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| 05:35 | Política 4 min de leitura

Ciro diz que presidencialismo de coalização é uma ''certeza de crise eterna''

Candidato à Presidência da República pelo PDT foi o segundo sabatinado do "Jornal Nacional"

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Candidato à Presidência da República pelo PDT foi o segundo sabatinado do "Jornal Nacional"
Ao longo dos 40 minutos de entrevista, Ciro (E) se concentrou em atacar as gestões de Bolsonaro e de Lula - TV Globo / Reprodução

O candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, que adotou um tom combativo contra os dois principais candidatos ao Planalto – Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) –, negou haver uma contradição entre seus ataques aos adversários e o objetivo de unir a nação. 

— Vou me esforçar para unir o Brasil — disse, admitindo que pode reavaliar seu discurso.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta terça-feira (23), Ciro justificou que seu discurso acontece porque "a corrupção é praticada por pessoas". 

— Temos de ser duros, a corrupção é um flagelo — afirmou o pedetista.

Ciro disse que o presidencialismo de coalizão implantado no país é uma “certeza de crise eterna” e defendeu a adoção de um “plebiscito programático” para solucionar problemas políticos com a falta de apoio no Congresso. 

Ao longo dos 40 minutos de entrevista, Ciro centrou em atacar as gestões de Bolsonaro e de Lula. Para ele, a frustração com o atual chefe do Executivo fará o país voltar ao "fracasso".

William Bonner insistiu com Ciro sobre a dificuldade de um presidente eleito sem apoio no Congresso para aprovar medidas no Legislativo e questionou como ele pretende colocar em prática as propostas de campanha.

— (Luciano) Bivar, que é presidente do União Brasil, me pediu para deixar a porta aberta até o último dia. No fim, foi honesto. Disse: "Olha, o problema não é o Ciro. São as ideias dele". Eu represento uma espécie de movimento abolicionista em um sistema escravista.

— O primeiro ano de FHC (ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) transcorreu em branco. Qual foi a concepção estratégica do Lula? Ambos se prostraram em um modelo econômico que produz desigualdade, informalidade, desemprego e destruição dos serviços públicos — emendou Ciro.

A apresentadora Renata Vasconcelos reforçou o questionamento a Ciro se as medidas sinalizadas não colocam em xeque a relação entre a Presidência e o Legislativo.

— Eu acho o regime da Venezuela abominável. É muito clara a minha distinção com esse populismo sulamericano que o PT, infelizmente, replica aqui. É uma tentativa de liberar o Brasil de uma crise que corrompeu a Presidência da República. Chegamos ao limite das emendas do relator. Eu vi ontem o cidadão aqui falando que não tinha corrupção (em referência a Bolsonaro). A corrupção está se institucionalizando.

Ciro afirmou ainda que Bolsonaro e o PT "reduziram a política a uma coisa odienta".

— A tradição de desemprego no Brasil é de 4%, 5%. Já batemos em 12%. Estamos em 10%. Estamos mandando para a velhice daqui a 15 anos, 50 milhões de brasileiros que não terão cobertura previdenciária. A política não pode ser reduzida a essa coisa odienta, de que o Bolsonaro é um protesto contra a corrupção e a crise econômica que o PT produziu e agora vamos voltar ao passado — disse.

Bonner questionou se Ciro pretende concorrer à reeleição e como isso facilitaria a relação dele com o Congresso, caso eleito.

— O que destruiu a governança brasileira é a reeleição. O presidente se vende a grupos picaretas da política brasileira porque tem medo de CPI e querem se reeleger. Eu me garanto. Não sou corrupto. Não tenho medo de CPI. Abrindo mão da reeleição eu vou fazer as reformas que o Brasil precisa. Quem você escolher, é com esses que sou democraticamente obrigado a negociar. A minha diferença é que o Bolsonaro, por exemplo, denunciou isso e fez o oposto. O PT fez o tempo inteiro a denúncia da corrupção dos outros e depois negociou nas mesmas bases. O que eu prometo? Negociar sem toma lá dá cá — disse.

Além de Ciro, o presidente Jair Bolsonaro (PL) foi o primeiro a ser ouvido, no programa da segunda-feira. Na quinta-feira (25), será a vez do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); a senadora Simone Tebet (MDB-MS) será a última a participar, na sexta-feira (26).

Fonte: GZH

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