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| 07:46 | Política 4 min de leitura

Lula reconhece casos de corrupção e erros de gestões petistas e diz em entrevista que vai pacificar o país

Candidato do PT também falou sobre temas econômicos e relação com o Congresso no telejornal

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Candidato do PT também falou sobre temas econômicos e relação com o Congresso no telejornal
Lula é entrevistado por William Bonner e Renata Vasconcellos no

A corrupção foi o tema de abertura da entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Jornal Nacional nesta quinta-feira (25). O candidato disse que em seu governo, entre 2003 e 2010, houve autonomia de instituições de fiscalização e investigação, como Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF). Lula reconheceu que ocorreu corrupção em suas gestões e disse que os casos só foram descobertos porque havia liberdade para investigar.

— Quero voltar à Presidência e, em qualquer hipótese de alguém cometer qualquer crime, essa pessoa será investigada, julgada e será punida ou absolvida — disse Lula, listando legislações criadas em sua gestão, como leis de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.  

— A corrupção só aparece quando você governa de forma republicana e permite que as pessoas sejam investigadas — completou.

A jornalista Renata Vasconcellos lembrou que os governos petistas sempre escolheram o primeiro colocado na lista tríplice para chefia do MPF e perguntou qual seria a postura em eventual nova gestão. O petista disse que faria "mistério" sobre sua decisão, mas afirmou que haveria mais investimento na autonomia: 

— As medidas estão colocadas. Eu poderia ter escolhido um procurador engavetador, não fiz isso. Eu poderia ter escolhido um chefe na Polícia Federal que não investigasse, e não fiz. Vamos seguir criando mecanismos para investigar delitos na máquina pública.

Sobre os processos dos quais foi alvo em decorrência da Lava-Jato, Lula disse que o erro da operação foi ter "entrado no limite da política" com o "objetivo de condenar o Lula". 

— Por conta da Lava-Jato, 4,4 milhões pessoas perderam emprego neste país, R$ 270 bilhões deixaram de ser investidos e se deixou de arrecadar R$ 58 bilhões — disse, citando números contestados por alguns economistas, segundo lembrou o jornalista William Bonner.  

Durante a sabatina, Lula citou várias vezes o nome do candidato a vice na chapa, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB). Segundo Lula, o antigo adversário do PT foi recebido pelo partido “de corpo e alma”. 

— Tenho 100% de confiança de que a experiência do Alckmin como governador e como vice do Mário Covas (no governo de SP) vai me ajudar a consertar este país. 

Questionado sobre a política econômica de seu novo governo caso seja eleito, não deixou claro se as medidas serão mais próximas de sua primeira gestão ou do período em que o país foi comandado pela correligionária Dilma Rousseff. 

Na resposta, lembrou que, após assumir o governo, em 2002, conseguiu reduzir a inflação, a dívida pública e o desemprego. Também atribuiu as dificuldades do governo da sucessora a adversários políticos:

— Dilma cometeu equívocos na questão da gasolina, na hora que fizeram R$ 540 bilhões em isenção fiscal e, quando ela tentou mudar, tinha uma dupla dinâmica contra ela, o Eduardo (Cunha), presidente da Câmara, e Aécio (Neves) no Senado. 

A respeito do diálogo com o Congresso, o ex-presidente afirmou que não pretende negociar com o bloco conhecido como centrão, e sim com cada bancada partidária em separado. Ele disse que acabará com o orçamento secreto “conversando” com os deputados e aproveitou para fustigar o presidente Jair Bolsonaro (PL). 

— Quem cuida do orçamento é o Lira (Arthur Lira, presidente da Câmara). Vamos acabar com a história de semiparlamentarismo, semipresidencialismo. Hoje, Bolsonaro parece o bobo da corte, ele não coordena o orçamento.

Nas considerações finais, Lula prometeu “cuidar do povo brasileiro” e “colocar o pobre no orçamento”. Também disse que 70% da população brasileira está endividada e se comprometeu a “renegociar” as pendências: 

— Esse país é um país do futuro que precisamos construir. Não existe nenhum país que se desenvolveu sem investir na educação. Vamos voltar para investir na geração de empregos.  

Lula foi o terceiro presidenciável entrevistado pelo Jornal Nacional nesta semana. Jair Bolsonaro (PL) abriu a sequência de sabatinas na segunda-feira (22). Ciro Gomes (PDT) foi ouvido na terça-feira (23). Na sexta-feira, Simone Tebet (MDB) encerra o ciclo de entrevistas.

Fonte: GZH

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