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| 06:45 | Segurança 4 min de leitura

Grupo que dava golpe do aplicativo é preso em Porto Alegre; criminosos agrediam e amarravam vítimas de roubos

Encontros eram marcados na casa das vítimas, que então eram assaltadas e torturadas

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Encontros eram marcados na casa das vítimas, que então eram assaltadas e torturadas
Na primeira fase da operação, dia 14 de feveiro, mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas casas dos suspeitos, em Porto Alegre - Polícia Civi

Foram presas na sexta-feira (31), pela Polícia Civil, três pessoas que integram um grupo que aplicava o golpe do aplicativo, em que as vítimas eram agredidas e roubadas em suas casas. O crime ocorria depois que encontros eram marcados pelo aplicativo de relacionamento Grindr, direcionado a comunidade LGBT+. Ao menos seis casos foram registrados na Capital, todos com vítimas do sexo masculino, em um prejuízo que ultrapassa a quantia de R$ 20 mil. A ação foi conduzida pela Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância.

As prisões ocorreram durante a segunda fase da operação Moedor. Foram presos preventivamente uma mulher de 21 anos e um homem de 22, por roubo seguido de extorsão. O terceiro integrante participava do crime de dentro da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, onde está recolhido. Ele tem 27 anos e recebeu novo mandado de prisão. Uma quarta pessoa permanece foragida. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

O grupo mantinha um perfil de casal no aplicativo, ilustrado com fotos de dois homens que diziam buscar encontros casuais. A quadrilha iniciava conversas com as vítimas e, depois, marcava encontros na casa delas. Ao chegarem ao local, anunciavam o assalto.

Chamou atenção da polícia o nível de violência praticado durante a ação. Os homens eram amarrados, sofriam diversos tipos de agressões, como coronhadas, e eram torturados também psicologicamente, com ameaças de morte. Eles eram obrigados a fazer transferências bancárias, de seus celulares, para contas de terceiros. No total, os criminosos causaram prejuízo de mais de R$ 20 mil, além de levarem objetos de valor das casas, como televisores, computadores, celulares e itens vestuário.

Segundo a polícia, a mulher presa seria responsável por organizar as ações e era quem costumava receber as transferências bancárias realizadas a partir de celulares das vítimas. O homem preso ia até as casas e executava os roubos. Ele foi reconhecido por mais de uma vítima da ação, segundo a delegada Andrea Mattos. O homem foragido seria o cúmplice na execução desses assaltos.

Em interrogatório, os dois presos na sexta permaneceram em silêncio.

Conforme a polícia, o grupo focava em pessoas da comunidade LGBT+ em razão de homofobia. Nos relatos, os homens vítimas da quadrilha relatam ter recebido ofensas homofóbicas durante os roubos.

— Identificamos que há uma questão de intolerância, porque as vítimas relatam que ouviram xingamentos por sua orientação sexual. A questão do roubo está aliada à do preconceito — afirmou a delegada ao longo da investigação.

Ao menos seis casos, todos contra homens, foram registrados em Porto Alegre desde setembro do ano passado. Desde então, a polícia vem fazendo diligências e solicitando perícias.

Andrea acredita que os criminosos tenham feito ainda mais vítimas, que não procuraram a polícia por medo ou vergonha. Ela pede que pessoas que passaram pela mesma ação ou que tenham informações sobre o caso procurem as equipes. O contato pode ser feito de maneira anônima na Delegacia de Combate a Intolência ou pelo WhatsApp, no (51) 98595-5034.

Apreensão de celulares
Na primeira fase da operação, desencadeada em 14 de fevereiro, a polícia apreendeu 10 celulares na casa dos suspeitos, agora presos, em Porto Alegre. Na ocasião, a ofensiva cumpriu dois mandados de busca e apreensão em duas residências, nos bairros Partenon, na Zona Leste, e Belém Novo, na zona sul da Capital. Os aparelhos foram enviados à perícia.

Os dois suspeitos, que estavam nos endereços alvo das buscas, foram levados até a delegacia para depoimento, e negaram envolvimento no crime.

Contraponto do app
GZH tenta contato, por e-mail, com a administração do aplicativo Grindr, desde o dia 10 de outubro do ano passado, mas não recebeu nenhum retorno até a publicação desta reportagem.

Fonte: GZH

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