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| 05:45 | Geral 3 min de leitura

Deputados querem mudar hino de SC, que contém referência abolicionista de 1892

O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL), que se justifica dizendo que "o catarinense não sabe cantar o hino porque não se sente representado por ele"

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O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL), que se justifica dizendo que "o catarinense não sabe cantar o hino porque não se sente representado por ele"
Proposta tramita na Assembleia Legislativa catarinense, em Florianópolis - Vicente Schmitt / Agência ALSC

Uma proposta para alterar o hino de Santa Catarina tem gerado reações e polarizado opiniões entre os moradores do Estado. O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL) na Assembleia Legislativa de SC (Alesc). As informações são do portal NSC Total.

Uma proposta para alterar o hino de Santa Catarina tem gerado reações e polarizado opiniões entre os moradores do Estado. O projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Ivan Naatz (PL) na Assembleia Legislativa de SC (Alesc). As informações são do portal NSC Total.

Em sua solicitação apresentada à Alesc, o parlamentar também acrescentou que "a letra do hino atual apresenta uma conotação abolicionista geral, o que talvez a torne pouco representativa das características que marcam a história do Estado". 

— Na verdade, passados 130 anos, o catarinense não sabe cantar o hino porque não se sente representado por ele. O hino é cidadania e patriotismo. Por isso, precisa se identificar com seu povo — afirmou

A letra do hino foi composta poucos anos após a abolição da escravidão e a transição do Império para a República no país. Ela contém referências associadas a esses acontecimentos históricos, como os versos "Quebrou-se a algema do escravo e nesta grande nação, é cada homem um bravo, cada bravo, um cidadão". 

Apesar disso, Naatz nega que exista qualquer relação entre essas referências históricas e a sua proposta de mudança do hino. 

Concurso para novo hino
A proposta de alteração do hino foi inicialmente apresentada no início do ano, porém, somente agora teve avanços na Alesc. Uma audiência pública, agendada para o dia 15 de agosto, em Florianópolis, marcará o início das discussões sobre o assunto. O deputado tem a intenção de ouvir sugestões para a elaboração do edital de convocação do possível concurso e para a composição da comissão especial que seria responsável por escolher o novo hino, caso o projeto avance. 

Conforme a proposição, o concurso ofereceria uma premiação em dinheiro ao autor da nova composição pelos direitos autorais. Além disso, não está descartada a possibilidade de realizar uma consulta à população. De acordo com o cronograma aprovado pela Alesc, todo o processo tem uma duração estimada de até dois anos e meio.

No RS, projeto semelhante acirrou debate sobre hino
O hino estadual de Santa Catarina não é o único a gerar divergências. Em janeiro de 2021, um trecho do hino do Rio Grande do Sul foi alvo de críticas devido a uma possível conotação racista. Durante a cerimônia de posse da atual legislatura da Câmara Municipal de Porto Alegre, em 2021, cinco vereadores negros eleitos permaneceram sentados e se recusaram a cantar o hino devido a essa polêmica. 

A crítica envolveu o seguinte trecho do hino do Rio Grande do Sul: “Povo que não tem virtude acaba por ser escravo”. Essa situação impulsionou a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Assembleia Legislativa, neste ano, com o objetivo de retirar os versos considerados racistas da letra. No entanto, em votação realizada no último dia 11, os deputados gaúchos decidiram manter o trecho polêmico no hino e dificultar mudanças futuras.

Fonte: GZH

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