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| 16:30 | Política 2 min de leitura

Na Argentina, nada é tão ruim que não possa piorar

Vitória de Javier Milei nas primárias é fruto do desgaste do governo, provando que quem manda na eleição é a economia

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Vitória de Javier Milei nas primárias é fruto do desgaste do governo, provando que quem manda na eleição é a economia
Milei é um produto típico da desesperança - ALEJANDRO PAGNI / AFP

Com um governo desastroso, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, não deveria ter se surpreendido, em 2021, quando o economista Javier Milei irrompeu feito um furacão no cenário político. Agora vitorioso nas eleições primárias de domingo (13), Milei começa a ficar conhecido nos países vizinhos e assusta pelos rompantes. Para a Argentina, vale o dito popular "nada é tão ruim que não possa piorar".

Um candidato que se apresenta propondo acabar com o Banco Central, para dolarizar a economia, como se assim resolvesse o problema de produção, endividamento, inflação, desemprego e empobrecimento, é mesmo de assustar quem olha de fora.

Aos argentinos cansados de peronismo, kirchnerismo e todos os personagens que desfilaram pela Casa Rosada na segunda metade do século 20 e nestas pouco mais de duas décadas do 21, um discurso anarquista soa como porta da esperança.

Milei é um produto típico da desesperança. Ao xingar os políticos, mesmo tendo se tornado um, faz com que os eleitores — sobretudo os mais jovens — sintam-se representados. Ali está alguém que diz o que eles gostariam de dizer para os homens e mulheres que desgraçaram o país. 

Só que Milei, no seu liberalismo extremo, pode estar acabando com o que a Argentina tem de bom: um sistema de educação reconhecido na América Latina e um sistema de saúde que socorre os argentinos na hora da doença.

O que Milei propõe na educação é uma fantasia que não existe nos Estados Unidos nem existiu na Inglaterra de Margareth Tatcher, ícones do liberalismo: implodir o sistema público de educação e comprar vouchers para os alunos em escolas privadas. Fora dos debates acadêmicos e dos bate-bocas em programas de TV e de internet, não se conhece país que tenha evoluído sem um sistema público eficiente de educação básica e universal. 

O resultado das primárias argentinas ensina aos políticos brasileiros que, se forem irresponsáveis nas políticas públicas, estarão adubando o solo para, em eleições vindouras, nascerem novos lunáticos com pretensões de salvar a pátria com métodos estapafúrdios.

Fonte: GZH

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