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08/03/2015 | 15:46 | Política

Empreiteiras da Lava-Jato financiaram campanhas de deputados do PP gaúcho

Três dos cinco parlamentares que serão investigados receberam, no ano passado, R$ 360 mil em doações de quatro empresas suspeitas de participarem do esquema de corrupção na Petrobras

Três dos cinco parlamentares que serão investigados receberam, no ano passado, R$ 360 

mil em doações de quatro empresas suspeitas de participarem do esquema de corrupção na Petrobras
Foto: Divulgação e Cláudio Vaz / Divulgação e Agência RBS
Dos cinco deputados do PP do Rio Grande do Sul que serão alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), três tiveram parte de suas campanhas financiadas, em 2014, por empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato. Juntos, Jerônimo Goergen, José Otávio Germano e Luiz Carlos Heinze receberam R$ 360 mil da Engevix, Grupo Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez — empresas suspeitas de participarem do esquema de corrupção em contratos com a Petrobras.
O valor doado legalmente pelas quatro corporações corresponde a 4,3% da receita total declarada pelos parlamentares ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi de R$ 8,37 milhões. Germano, Goergen e Heinze lideraram o ranking de gastos na eleição passada, respondendo por 13,7% da despesa total dos 31 eleitos. Para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, os progressistas desembolsaram, respectivamente, R$ 2,9 milhões, R$ 2,7 milhões e R$ 2,5 milhões. Em média, os parlamentares eleitos gastaram R$ 1,2 milhão.
Na sexta-feira, o ministro do STF Teori Zavascki autorizou a abertura de inquérito contra os três parlamentares e outros três colegas de partido: os deputados Afonso Hamm e Renato Molling, além do ex-deputado Vilson Covatti. Os seis teriam recebido mesada que variava entre R$ 30 mil e R$ 150 mil, oriundos de contratos da Petrobras, conforme depoimentos do doleiro Alberto Youssef.
Nas eleições de 2010, também há registro de doações das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato. O deputado José Otávio Germano recebeu, em valores atualizados, R$ 559 mil da Engevix, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. No entanto, como na campanha retrasada era permitido a chamada doação oculta (os partidos distribuíam verba doada por empresas para candidatos ou comitês sem identificar a origem do dinheiro), não é possível identificar se, de fato, houve repasse destas empresas para os outros políticos do PP gaúcho.
Zero Hora tentou entrar em contato com os deputados que receberam as doações, mas, até a publicação desta matéria, os parlamentares não retornaram aos contatos da reportagem.
Fonte: Zero Hora
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