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09/03/2015 | 11:13 | Política

Deputado do PP citado na Lava-Jato chora e diz que o partido acabou

Jerônimo Goergen pediu licenciamento da legenda para se defender da acusação de que recebeu propina em obras da Petrobras

Jerônimo Goergen pediu licenciamento da legenda para se defender da acusação de que recebeu propina em obras da Petrobras
Goergen não definiu se seguirá na política depois dos desdobramentos da Lava-Jato (Foto: Mauricio Tonetto / Agência RBS)
O deputado federal Jerônimo Goergen (PP) anunciou, na manhã desta segunda-feira em seu escritório em Porto Alegre, que irá interpelar judicialmente Alberto Youssef após ser citado pelo doleiro como um dos beneficiados no esquema de corrupção da Petrobras. O parlamentar pediu licenciamento da legenda para se defender da acusação, e sustenta que não tem qualquer envolvimento com os desvios revelados pela Operação Lava-Jato. Emocionado, ele chorou e disse que apareceu em um momento em que era deputado estadual, o que lhe causou estranhamento.
— É colocado o meu nome como recebedor, mas eu nem estava lá (em Brasília) na época. Estou respeitando o Rio Grande do Sul ao me licenciar. Houve uma citação e eu quero que agora o doleiro prove. Até que se entenda o que acontece, é um choque. Provar a inocência é o desafio da minha vida.
Jerônimo Goergen não definiu se seguirá na política depois dos desdobramentos da Lava-Jato, e entende que o Partido Progressista "acabou" devido às revelações da operação. Ele lembrou que a sigla já havia sofrido um duro golpe com a Operação Rodin — que apurou fraude no Detran gaúcho —, e que as esperanças em renovação no PP quase não existem mais.
— Eu acho que o partido acabou. Somos muito desunidos. Essa prática (corrupção) ocorreu no PP, aí está o mensalão, mas eu vejo com estranhamento o fato do meu nome ser relacionado agora em que estou num enfrentamento nacional (com o Executivo e com a direção do PP).
Na delação premiada de Youssef, Goergen aparece no seguinte trecho: "Que havia outros deputados do PP, cuja posição era de menor relevância dentro do partido, que recebiam entre R$ 30 mil e R$ 150 mil por mês; que dentre os deputados que tem certeza que receberam estão Jerônimo Goergen (entre outros)". Youssef não esclarece se os deputados supostamente beneficiados com a propina eram estaduais ou federais.
— Leva a crer que ele fala da bancada federal. Não sei. Sobre as mesadas, uma hora ele cita R$ 10 mil, outra R$ 30 mil. Eu não o conheço, não o conheço.
O parlamentar afirmou também que está com os sigilos fiscal, bancário e telefônico abertos ao Ministério Público Federal (MPF) para novas investigações.
Fonte: Zero Hora
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