| 06:08 | Política 4 min de leitura
Doleiro preso afirma que José Otávio Germano era de "grupo hegemônico" no PP
Advogado de deputado nega envolvimento do parlamentar com supostos desvios na estatal
José Otávio Germano (PP-RS) seria mais do que um integrante do baixo clero no suposto mensalinho do Partido
Progressista (PP). Em depoimento, o doleiro Alberto Youssef coloca o deputado em um "grupo hegemônico" que comandou a sigla de 1994 a 2011. Apesar da posição,
o gaúcho foi citado pelo próprio delator na relação de parlamentares que receberiam as menores fatias da mesada financiada com recursos desviados da
Petrobras.
Pelas descrições das delações premiadas de Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, quem
participa das investigações do esquema acredita que Germano teria condição intermediária, abaixo dos líderes José Janene e Mário
Negromonte (BA), mas acima dos outros cinco gaúchos do PP também citados na Operação Lava-Jato.
Youssef identificou José Otávio
no "grupo hegemônico" liderado por Janene (morto em 2010), Negromonte, Nelson Meurer (PR) e João Alberto Pizzolatti (SC). Foi Janene que apadrinhou Costa na Diretoria
de Abastecimento, onde empreiteiras pagariam comissão de 1% sobre os contratos assinados.
O PP teria ficado com 60% do valor arrecado em diversas obras, a
exemplo da Refinaria Abreu e Lima. Os líderes levariam mesadas entre R$ 250 mil e R$ 500 mil, enquanto Germano estaria na lista de 25 deputados com repasses que variavam de R$ 30 mil
a R$ 150 mil mensais, conforme a força política de cada um - os demais gaúchos entrariam neste grupo. Segundo Costa, José Otávio não participava
das reuniões que tratavam do suposto esquema, que teria se estendido entre 2005 e 2012.
O gaúcho se elegeu deputado federal em 2003, porém se
licenciou para assumir a Secretaria de Segurança do Estado. Retornou à Câmara em 2006 e se reelegeu três vezes. Conforme Youssef, ele integrou uma
relação de parlamentares que teriam recebido recursos desviados da Petrobras por meio de doações oficiais de campanha.
Junto com o deputado
Luiz Fernando Faria (PP-MG), José Otávio é investigado em outro inquérito da Lava-Jato pela suspeita de intermediar o pagamento de R$ 200 mil a Costa, realizado
em um hotel de luxo no Rio de Janeiro. O repasse seria um "agrado" enviado pela Fidens Engenharia por ter vencido licitações na Petrobras.
Faria
é um dos melhores amigos de José Otávio em Brasília, ambos figuram na Comissão de Minas e Energia da Câmara. Youssef disse na delação
que presenciou os dois juntos retirando valores de propina em apartamentos dos líderes do PP.
O doleiro informou que o grupo que controlava o partido mantinha
listas com os nomes dos deputados e os respectivos valores da mesada. Ele diz ter visto as relações quando Pizzolatti era o líder (em 2010), sendo que a
composição era repetida em reuniões da cúpula da legenda. As listas eram elaboradas nos períodos de escolha de líder na Câmara com os nomes
dos parlamentares que votariam a favor do indicado pela ala de Janene e Negromonte.
Youssef ainda explicou que, para "comprar" a bancada, era preciso arrecadar
de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por mês na Petrobras. Os valores seriam repassado em doações oficiais ou entregues em espécie, transportados em voos
comerciais, com o dinheiro junto ao corpo dos emissários, ou em aeronaves fretadas.
As delações indicam que o eventual sistema de mesada teria
assegurado ao grupo de Janene e Negromonte a vitória nas escolhas de liderança do PP na Câmara até 2011, quando uma rebelião deu à ala de Ciro
Nogueira, Arthur Lira e Aguinaldo Ribeiro (todos investigados na Lava-Jato) a liderança e o controle da propina. A troca ampliou o racha do PP. Para conter a briga interna, Costa
teria orientado Youssef a manter pagamentos ocultos ao antigo grupo hegemônico da legenda.
O que diz José Otávio Germano
Advogado de José Otávio Germano no caso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), Marcelo Bessa nega o envolvimento do deputado com os supostos desvios na
Petrobras. O advogado afirma que, nas citações sobre o parlamentar, o conteúdo dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef é "absurdamente
despropositado", que tal condição será comprovada ao longo da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal e pela
Polícia Federal. José Otávio vai aguardar com "bastante tranquilidade" o final das investigações.
"Sobre o que
está nesse processo em relação ao meu cliente, não há nenhuma prova, que não seja a palavra de dois delatores, com toda suspeição
contra eles. Não há uma prova material que possa minimamente corroborar o que foi dito nos depoimentos", afirma Bessa.
O advogado classifica como
"absurda" a afirmação de Youssef sobre o pertencimento do deputado gaúcho a um "grupo hegemônico" no PP. Em relação ao suposto
recebimento de recursos desviados da Petrobras por meio de doações oficiais, Bessa destaca que os repasses foram legais, registrados na Justiça Eleitoral.
— Passa a ser uma acusação sem qualquer fundamento constitucional ou legal — completa.
Fonte: Zero Hora


























































