10/02/2025 | 18:29 | Educação
Raquel Teixeira disse que o governo do Estado tem recursos para a compra de mais equipamentos, mas algumas redes elétricas não suportam a melhoria
Das 2.320 escolas mantidas pelo governo do Rio Grande do Sul, 633 têm aparelhos de ar-condicionado, segundo a secretária estadual da Educação, Raquel Teixeira. A responsável pela pasta deu entrevista nesta segunda-feira (10) à Rádio Gaúcha.
Isso significa que 27,3% das escolas estaduais possuem ar-condicionado.
— A situação das escolas é muito diversa. Temos 633, por exemplo, que têm ar-condicionado, que estão preparadíssimas para o início das aulas — disse a secretária da Educação, em entrevista ao Gaúcha Atualidade.
Conforme Raquel Teixeira, o governo do Estado tem recursos para a compra de mais aparelhos de ar-condicionado. Contudo, as redes elétricas, segundo a secretária, não suportam a melhoria térmica.
— Vivemos a era dos extremos climáticos. Temos de nos adaptar. A Secretaria Estadual de Educação e a Secretaria Estadual de Obras estão trabalhando no calendário de restauração, de modernização da rede. O recurso pra comprar ar-condicionado existe. O desafio é que comprar o aparelho não significa, às vezes, poder instalá-lo por causa da rede elétrica que é muito frágil — disse a secretária.
Em nota, a Secretaria de Obras Públicas informou que criou condições para reformar rede elétrica das escolas estaduais em 2025 (veja íntegra abaixo).
As aulas na rede estadual no RS começariam nesta segunda-feira (10). Em razão da onda de calor que atinge o Estado, o sindicato que representa os professores estaduais, o Cpers, entrou na Justiça pedindo o adiamento do início do ano letivo.
A entidade alegou que não há condições adequadas para enfrentar as temperaturas próximas de 40ºC em toda a rede escolar.
A Justiça aceitou o pedido de liminar e adiou o início do ano letivo para 17 de fevereiro na rede estadual.
A secretária, por sua vez, disse que o Estado entrou com recurso para que retorno das atividades não ocorra só na semana que vem, como prevê a liminar.
Secretaria de Obras Públicas criou condições para reformar rede elétrica das escolas estaduais
A Secretaria de Obras Públicas (SOP) implementou mudanças em seus processos que permitem, em 2025, reformar com agilidade a rede elétrica das escolas estaduais, de acordo com a definição de prioridades a partir das necessidades de cada instituição. Isso porque, no início do ano, a contratação simplificada passou a valer em todo o Rio Grande do Sul, portanto, abrangendo as 2,3 mil instituições de ensino. Em muitas delas, a necessidade de redimensionar a parte elétrica defasada surgiu com a demanda de instalação de aparelhos de ar-condicionado.
“Em 2023 e 2024, não faltaram recursos para a realização de obras nas escolas do Estado. A situação permanece a mesma em 2025, com a certeza de mais agilidade nos processos, graças à contratação simplificada. A partir da retomada de investimentos por parte do governo, temos condições de executar os serviços, de acordo com um planejamento que estabeleça prioridades conjugadas à capacidade de as empresas contratadas executarem os serviços", afirma a titular da SOP, Izabel Matte.
A reforma de rede elétrica é um processo criterioso e composto de etapas, a fim de garantir segurança e eficiência, de acordo com as normas técnicas vigentes. Ele começa com uma vistoria técnica para avaliar a rede elétrica, o que dá elementos para calcular a carga necessária à instalação dos equipamentos de climatização.
Os dados resultantes embasam a elaboração do projeto elétrico, que detalha as adequações necessárias, o que pode incluir a instalação de uma nova subestação elétrica que suporte o aumento de carga, assim evitando sobrecargas ou quedas de energia. Conforme o projeto, são indicados transformadores adequados para a distribuição eficiente da energia. Antes de a obra começar, é preciso aprovar o projeto na concessionária de energia local.
A execução da nova infraestrutura elétrica ocorre com a instalação da subestação, o posicionamento dos transformadores e a adaptação da rede interna para suportar os aparelhos de ar-condicionado.
Contratação simplificada
A contratação simplificada é um processo que agiliza a manutenção das escolas. Nesse modelo, a licitação é feita por blocos de escolas e há um “catálogo de serviços” à disposição da SOP para atender às demandas com maior velocidade. Não é necessário licitar cada serviço, e a escola tem uma empresa responsável pré-contratada para realizar a manutenção. Isso acelera o processo, em comparação à realização de uma licitação por obra, que no passado era o único modelo possível.
A implementação da contratação simplificada integra a recuperação da capacidade de investimento por parte do Estado. Nos últimos anos, o governo do Rio Grande do Sul realizou reformas estruturantes que permitiram que se voltasse a destinar recursos para qualificar a estrutura física das escolas da rede estadual. Essas ações são fruto da determinação do governador Eduardo Leite, no início desta gestão, de colocar a educação como prioridade de seu segundo mandato.