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| 11:51 | Política 5 min de leitura

Vídeos com suposta compra de votos motivam pedido de cassação de prefeito em Alegria

Entrega de dinheiro gravada e depoimentos na Justiça levam Ministério Público Eleitoral a requerer anulação do pleito em Alegria e investigação da Polícia Federal

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Entrega de dinheiro gravada e depoimentos na Justiça levam Ministério Público Eleitoral a requerer anulação do pleito em Alegria e investigação da Polícia Federal
Alegria tem 3,2 mil habitantes e teve uma eleição extremamente apertada. RBS TV / Reprodução

Gravações que mostram um candidato a vereador entregando dinheiro em troca da promessa de votos motivaram o Ministério Público Eleitoral a pedir a cassação desse político e de dois aliados dele, o prefeito e o vice-prefeito de Alegria, cidade do noroeste do Rio Grande do Sul. Os vídeos são complementados por depoimentos de eleitores que dizem ter vendido apoio aos três e também de pessoas que afirmam ter intermediado a negociação. Os eleitos afirmam se tratar de uma armação. 

Alegria tem 3,2 mil habitantes e vivenciou uma eleição extremamente apertada. O prefeito eleito, Fábio Schakofski (PSD), fez 1.293 votos. O segundo colocado, Renato Teixeira (MDB), conseguiu 1.231 votos. Ou seja, foram 62 votos de diferença para o vencedor.

O Grupo de Investigação da RBS (GDI) teve acesso aos vídeos (também protocolados na Justiça Eleitoral), que mostram a suposta troca de dinheiro por votos feita por um apoiador de Schakofski. As negociações são conduzidas pelo candidato a vereador Cláudio Vargas (PP). 

Em conversa com um eleitor, o político propõe:

— Deixo R$ 500 pra ti, aí. Vou te dar R$ 500 hoje e, se eu me eleger, te dou outros R$ 500. Tu vota em mim pra vereador, o meu número tá aqui ó...11.622. E vota também pro 55 (número do candidato a prefeito que ele apoia).

Vargas estende um panfleto colorido com a foto do candidato a prefeito Fábio Schakofski e do vice dele, Elson Secconi.

O eleitor responde: 

— Feito.

No total, seriam pagos ao eleitor R$ 1 mil para votar em Vargas e no candidato a prefeito apoiado por ele.

Em outra gravação, Vargas aborda uma eleitora, a quem entrega um folheto da campanha do candidato a prefeito do PSD:

— Eu tô dando R$ 1 mil agora e R$ 1 mil depois. Aí tu vota pra mim e pro 55 (número do candidato a prefeito Schakofski).

A eleitora pergunta:

— Aí tu me paga segunda?

Vargas concorda, puxa dinheiro do bolso e entrega para a eleitora:

— Se tu topar, entrego agora.

A eleitora pega o dinheiro, confere e confirma:

— Tudo certo. Então pego R$ 1 mil do Fábio (candidato a prefeito) agora.

Apesar do esforço, Vargas não se elegeu.

Schakofski e Secconi negam ter solicitado que Vargas oferecesse dinheiro em troca de votos (leia mais abaixo). O GDI entrevistou uma testemunha de defesa do prefeito e do vice, que não quer ter seu nome mencionado. Esse declarante afirma que as gravações são uma "armação" feita por um adversário para prejudicar Schakofski e Secconi. O homem afirma que assistiu a um ensaio da gravação, sem presença de eleitores.

— Foi uma briga interna no PP e um ex-vereador simulou a compra de votos —  assegura a testemunha.

Há, ainda, um depoimento em cartório firmado por uma afilhada de Cláudio Vargas e que também pretendia ser vereadora pelo PP. Ela diz que intermediou compra de votos, em troca de dinheiro, saco de cimento, animais e rancho de comida.

"Era pago de R$ 1 mil a R$ 3 mil por eleitor. Os valores eram pagos por Fábio Schakofski e Secconi para meu padrinho", diz a mulher no documento.

Outro eleitor também afirma, em ata registrada em cartório, ter recebido dinheiro, vale-combustível e um porco para votar em Vargas e nos candidatos a prefeito e vice eleitos em Alegria.

Todos estão convocados a depor no processo judicial. A promotora eleitoral Carolina Zimmer, que atua na Comarca de Três de Maio, pediu cassação do prefeito de Alegria e do vice-prefeito e inelegibilidade do candidato a vereador Vargas. Na ação de investigação eleitoral, ela menciona oito vezes os vídeos da suposta compra de votos.

Os delitos atribuídos aos três políticos são abuso de poder econômico e captação ilícita de sufrágio (também chamado corrupção eleitoral). Os dois enquadramentos preveem cassação do registro e reclusão de até quatro anos a quem "dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita". A Polícia Federal também abriu inquérito, ao qual foram anexadas as gravações da entrega de dinheiro a eleitores.

CONTRAPONTOS

O que diz o prefeito de Alegria, Fábio Schakofski:

"A gente soube que isso são vídeos montados, criados pós-eleição. E a polícia, entrando no meio, vai chegar a quem mandou fazer essa armação. Não conversamos com o candidato a vereador Cláudio, até para não nos acusarem de constrangimento. Nunca pedimos compra de votos. Se ele fez, foi por iniciativa dele, não nossa. É uma montagem. Tem outras pessoas que não aceitaram resultado da eleição e disseram para testemunhas falarem contra nós. Quero ver provarem".

O que diz o vice-prefeito de Alegria, Elson Secconi:

"Estou bem tranquilo em relação a isso. O Cláudio não tem autorização nossa para pedir voto em troca de dinheiro. A comunidade fala que ele fez após eleição".

O que diz Vargas:

A reportagem tentou sete vezes contato com o candidato a vereador, mas ele não atendeu.

Fonte: GZH

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