Os vereadores Cláudio Janta (SDD) e Carlos Comassetto (PT) se desentenderam na sessão plenária da Câmara Municipal de Porto Alegre nesta quarta-
feira (25). Uma sequência de fotos tiradas pelo fotógrafo do parlamento mostram Janta se aproximando do petista, erguendo as mãos e, depois, sendo contido por
seguranças. Comassetto diz ter sido agredido, mas Janta nega.
Segundo Janta, a contenda teve início após Nereu D'Ávila (PDT) ter citado na
tribuna uma doação de R$ 250 mil feita ao PT de Porto Alegre em dezembro de 2011 de uma das empresas de Augusto Mendonça, um dos investigados pela
Operação Lava Jato. Rebatendo as críticas, o petista foi à tribuna defender o partido.
“Eu fui rebatê-lo na questão
política. Ele fez uma crítica a nós do PT e ao PT de Porto Alegre. Temos cinco representantes aqui e somos vereadores honrados”, relatou ao G1.
Comassetto ainda citou o licenciamento do prefeito José Fortunati do PDT, e a atitude de colegas da sigla de Nereu D'Ávila. “Nós somos oposição,
mas nunca deixamos de votar um projeto, mesmo sendo do prefeito”. A crítica se refere às derrubadas de vetos a projetos de lei do Executivo na Câmara Municipal.
Parte da bancada do PDT, além de partidos aliados, ajudou nas decisões do parlamento municipal. Depois do episódio, Fortunati garantiu que permanecerá licenciado
da legenda até o final do mandato.
A crítica do petista, porém, atingiu outros partidos. Após ouvir o petista citar o fato de o SDD ter se
coligado na eleição para o governo estadual com o PP, partido que teve seis integrantes citados pelo delator Alberto Youssef, Janta diz ter reagido, afirmando que a senadora
Ana Amélia Lemos (PP), candidata derrotada ao governo estadual, não se envolveu no esquema, e citando outras denúncias contra o governo petista.
"Ele ficou enlouquecido, completamente destemperado. Disse que eu era financiado por milícias, pelo narcotráfico, que eu comprava votos", afirmou o vereador do
SDD.
Comassetto disse que Janta deixou a tribuna e seguiu em direção a ele e o empurrou. "Ele veio nos agredir, me empurrou. Eu estava sentado ao lado
da Sofia [Cavedon, também vereadora pelo PT]. Até que chegou a turma do ‘deixa disso’ e apartou", contou.
Janta reconhece ter ido
"tirar safisfação" de Comassetto, mas nega ter agredido o petista, que, segundo ele, "fez um circo". "Ele covardemente se encolheu na cadeira ao lado
da Sofia [Cavedon]. Tem fotos dele sorrindo e debochando. Não tenho nenhum registro de processo por agressão, e não seria com o Comassetto que eu sujaria as minhas
mãos", disparou.
“Foi uma atitude antidemocrática do Janta. É comum utilizar isso nas ações sindicais que ele participa, que
é a agressão física. Acho lamentável. Não é da política", sustentou o petista.
Segundo Janta, Comassetto já
agiu desta forma com outros vereadores. "Ele está à procura de um vereador que bata nele", diz. Janta disse ainda que acionará Comassetto na Justiça
devido às declarações.
O petista, porém, diz que é a primeira vez que um episódio do tipo acontece com ele. "No
histórico da Câmara, às vezes tem ameaças, mas agressão física da maneira como aconteceu não lembro de ter acontecido uma outra vez”,
rebateu.