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| 18:53 | Segurança 5 min de leitura

Morador de Porto Alegre perde R$ 1 milhão em golpe do Pix: ''Não consigo confiar em mais ninguém''

Caso deu início a investigação que já identificou mais de 30 vítimas na Capital; somados, prejuízos chegam a R$ 30 milhões

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Caso deu início a investigação que já identificou mais de 30 vítimas na Capital; somados, prejuízos chegam a R$ 30 milhões
Inquérito da investigação já conta com mais de 700 páginas. Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Um morador de Porto Alegre teve prejuízo de mais de R$ 1 milhão ao cair duas vezes no golpe do Pix. As economias, juntadas ao longo de décadas pelo idoso de 71 anos, foram subtraídas pelos farsantes entre setembro de 2024 e março deste ano. O caso deu início a uma investigação que já identificou mais de 30 vítimas na Capital, que, somadas, tiveram prejuízos de R$ 30 milhões.

Segundo o delegado Juliano Ferreira, da 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre e responsável pelo inquérito, existem algumas modalidades do golpe do Pix. No caso investigado, a dinâmica é a seguinte:

  • Golpistas se passam por funcionários de bancos
  • Eles dizem para as vítimas que alto valor financeiro foi repassado ou subtraído da conta das vítimas
  • Depois, afirmam que para proteger os recursos e evitar mais perdas, as vítimas precisam repassar o dinheiro para uma conta protegida
  • Essa suposta contra protegida, no entanto, pertence aos próprios criminosos ou empresas laranjas
  • Com medo de prejuízos financeiros, as vítimas seguem as instruções repassadas pelos golpistas, o que inclui realizar Pix para a conta indicada e informar dados pessoais. 

Foi desta forma que o morador de Porto Alegre perdeu cerca de R$ 400 mil em setembro de 2024 e mais de R$ 600 mil no Carnaval deste ano. O prejuízo soma mais de R$ 1 milhão.

— Eles tinham me perguntado se eu havia feito um Pix de R$ 250 mil. Eu disse que não reconhecia essa transferência. Aí, eles falaram que tínhamos de resolver isso para não sair mais dinheiro da minha conta. Eles foram me passando instruções e eu embarquei nessa. Fiquei preocupado com aquele Pix e acabei transferindo mais de R$ 250 mil para eles — relata o idoso, que, ao passar as informações aos criminosos durante a fraude, também se tornou alvo de um empréstimo indesejado, de R$ 400 mil, feito pelos bandidos.

Conforme a vítima, os dois episódios trouxeram, além dos transtornos financeiros, prejuízos emocionais. 

— A maior consequência foi a psicológica. Me senti muito mal. Não consigo confiar em mais ninguém. Fiquei sem dinheiro. Fiquei sem nenhum tostão. Tive sorte porque as pessoas me conheciam e me socorreram para colocar gasolina, comprar comida, tudo — afirmou.

O idoso, que sofre com uma doença crônica, não conseguiu recuperar os recursos até o momento. Ele começou o contato com os bancos para tentar reaver a quantia.

Investigação

A investigação policial por parte da 8ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre teve início com este caso. Conforme o delegado Juliano Ferreira, a fraude está sendo aplicado por um grupo de criminosos especializados em estelionato virtual

A quadrilha escolhe as possíveis vítimas a partir das redes sociais e de informações disponíveis na internet. O perfil principal escolhido para a aplicação da fraude é, segundo a polícia, pessoas idosas com vida financeira estável

Em maio, a 8ª Delegacia de Polícia da Capital realizou operação que resultou na prisão de quatro pessoas envolvidas na fraude. Desde lá, a polícia avançou nas investigações e está realizando o mapeamento de suspeitos de integrarem a organização criminosa que residem fora do Rio Grande do Sul. Ainda não se sabe o número exato de pessoas que participam da quadrilha.

A apuração já conta com mais de 700 páginas de inquérito, entre depoimentos e provas. A polícia identificou cerca de 30 vítimas, que tiveram um prejuízo estimado em mais de R$ 30 milhões.

— Fica o alerta para a pessoa que não quer ser vítima de uma coisa dessa: confira se a pessoa está pedindo informações e não confirmando elas. Geralmente, o banco não entra em contato conosco. Quando entra é para confirmar alguma operação. Jamais o banco pede para que se faça alguma transferência de segurança. Então, quando houver essa solicitação, é golpe. Não tem exceção a essa regra — ressalta o delegado Ferreira. 

Os golpes do Pix

O golpe investigado pela 8ª DP, no qual o criminoso se faz passar por funcionário de banco e alerta a vítima sobre uma suposta transação não autorizada, é apenas uma das modalidades envolvendo o Pix.

Golpes comuns com o Pix:

  • WhatsApp clonado: golpistas clonam o WhatsApp da vítima para pedir dinheiro via Pix, se passando por amigos, familiares ou empresas
  • Falso atendimento bancário: criminosos se passam por funcionários de banco ou suporte técnico e induzem a vítima a fazer transferências ou cadastrar chaves Pix
  • Pix multiplicador e bug do Pix: promessas falsas de ganho rápido por meio de transferências ou de uma falha no sistema Pix
  • QR Code falso: golpistas criam QR Codes falsos para desviar pagamentos via Pix
  • Pix errado: golpistas alegam engano e pedem estorno, usando o mecanismo de devolução para retirar o dinheiro da vítima

Dicas para não ser vítima

  • Ao receber mensagens ou ligações alegando ser do seu banco, procure o número oficial de atendimento, que está atrás do seu cartão, ou vá até uma agência para confirmar a autenticidade da mensagem
  • Confira todos os dados do destinatário antes de realizar a transferência
  • Não clique em links suspeitos de destinatários desconhecidos enviados por e-mail, SMS, WhatsApp ou redes sociais
  • Cadastre as chaves Pix diretamente no aplicativo da instituição financeira que utiliza
  • Não faça transferências para pessoas conhecidas sem antes confirmar sua identidade por ligação telefônica, chamada de vídeo ou pessoalmente
  • Desconfie de promoções ou táticas para ganhar dinheiro após realizar transferências via Pix
  • Defina um limite máximo para as transações Pix, de acordo com suas necessidades
  • Estorne o valor do Pix apenas por meio da função de "devolver Pix" presente no aplicativo do banco

*Fonte: Polícia Civil e Serasa

Fonte: GZH

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