03/09/2025 | 06:41 | Polícia
Brenda dos Santos Baptista, 20 anos, foi morta em junho de 2024. Suposta gravidez da jovem teria motivado o crime
O Tribunal do Júri da Capital condenou na noite desta terça-feira (2) Bruno Luís Gomes do Canto a 26 anos de prisão pela morte de Brenda dos Santos Baptista, 20 anos. A jovem, que era namorada dele, foi encontrada morta no bairro Lomba do Pinheiro, na zona leste de Porto Alegre, em junho de 2024.
Além do feminicídio, ele também foi condenado pela ocultação do cadáver da vítima.
O júri ocorreu no Foro Central de Porto Alegre e durou cerca de 13 horas. Ao longo do julgamento, seis testemunhas foram ouvidas, sendo quatro de acusação e duas de defesa.
O réu foi preso em julho de 2024, mais de uma semana após o corpo da vítima ser encontrado. Ele seguirá no sistema prisional e não poderá recorrer em liberdade.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o crime ocorreu em 29 de junho de 2024, na Estrada João de Oliveira Remião, no bairro Lomba do Pinheiro, na zona leste de Porto Alegre. Depois de ficar uma semana desaparecida, Brenda foi encontrada sem vida. Nascida e criada no Partenon, a jovem dizia que estava grávida.
A denúncia do MPRS aponta que a vítima teria sido atraída pelo réu no dia do crime, com o falso pretexto de participar de uma festa junina. Ao chegar em área de mata, no entanto, a vítima foi morta por asfixia, com um golpe "mata-leão".
Depois de matá-la, o réu ainda teria arrastado o corpo da vítima para dentro da mata, dificultando a localização do cadáver.
A motivação do crime estaria relacionado ao fato de que a jovem havia informado o acusado que estaria grávida. As investigações revelaram a presença de um teste de gravidez positivo entre os pertences da vítima. No entanto, exames periciais realizados posteriormente não confirmaram a gestação.
Durante o júri, o MPRS sustentou a acusação do réu por homicídio quadruplamente qualificado – por motivo torpe, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, asfixia e feminicídio – além de ocultação de cadáver.
“A condenação é um ato de justiça, que reafirma que Porto Alegre não tolera violência extrema contra mulheres que confiam em quem, tragicamente, as mata”, afirmou a promotora Luciana Cano Casarotto, que atuou no caso.
A advogada Patrícia Savela, que representa o réu, disse que a "pseudo confissão" de Bruno influenciou o convencimento do Conselho de Sentença, que "declinou pela condenação". Confira:
"Recebi a tarefa de patrocinar a Defesa do réu durante o Plenário. Um dos processos mais difíceis em que atuei. Conforme ventilado na mídia, houve, na fase inquisitória, uma pseudo confissão de Bruno, o que influenciou o convencimento do Conselho de Sentença, que declinou pela condenação. A atuação enquanto defesa técnica foi pautada pelo respeito, comprometimento e ética. Independente do resultado, saímos com o dever cumprido e a certeza da entrega absoluta. Iremos recorrer da decisão."