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| 05:06 | Segurança 4 min de leitura

Polícia tem indícios de que animais saudáveis sofreram eutanásia em Canoas

Ex-secretária do Bem-Estar Animal foi alvo de operação; prefeitura abriu sindicância para apurar o caso

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Ex-secretária do Bem-Estar Animal foi alvo de operação; prefeitura abriu sindicância para apurar o caso
Operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A Polícia Civil apura denúncias de que animais saudáveis foram submetidos a eutanásia em Canoas, na Região Metropolitana. A investigação motivou uma operação nesta quinta-feira (4) contra a ex-secretária de Bem-Estar Animal, Paula Lopes, suspeita de praticar o procedimento de forma indiscriminada e de envolvimento em estelionato.

A estimativa é de que ao menos 239 animais tenham sido mortos ao longo de oito meses. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, confirmou que existem indícios de que animais em boas condições de saúde foram sacrificados.

— Para sair os mandados, temos de ter indícios mínimos de materialidade e autoria. E isso já se tinha — afirmou.

Conforme Reschke, além dos crime de maus-tratos e crueldade contra animais e estelionato, a polícia apura possível ocorrência de lavagem de dinheiro. Durante a operação, foram encontrados cerca de R$ 100 mil em espécie na casa da ex-secretária.

Na entrevista, o delegado ainda confirmou que a Polícia Civil pedirá à Justiça que Paula Lopes, que tem uma ONG, seja impedida de atuar com animais.

A ex-secretária disse que as denúncias são infundadas (leia mais abaixo).

Investigação interna

A prefeitura de Canoas abriu sindicância para apurar informações a respeito da atuação da ex-secretária Paula Lopes. A abertura do procedimento foi assinada pelo secretário de Transparência, Gustavo Ferenci. A estimativa é de concluir a apuração em até quatro semanas.

— Nesse período, vamos ouvir servidores e entregar os resultados ao Ministério Público e à Polícia Civil para colaborar com a investigação — disse Ferenci.

De acordo com o procurador-geral do município, Éber Bundchen, a prefeitura não havia recebido nenhuma denúncia formal sobre a atuação de Paula até esta quinta-feira.

— Essas notícias nos causaram extrema surpresa. O município é o maior interessado em saber de toda a verdade, garantido o amplo direito de defesa. Vamos colaborar para que a verdade seja devidamente esclarecida em todos os aspectos — afirmou.

Aviso questionado

A veterinária Gabriela Braun, que trabalhou em um abrigo para animais de Canoas, disse à reportagem de Zero Hora que repassou ao prefeito Airton Souza, por WhatsApp, informações sobre o tratamento inadequado de animais no município. Gabriela deixou a prefeitura em abril, dois meses após a nomeação.

— Por muitas vezes, mandei mensagens para ele falando de várias irregularidades. No dia que eu fui me exonerar, tentei o dia inteiro ter uma reunião presencial com ele para explicar o que estava acontecendo. Depois ainda mandei outros textos, conforme mais coisas chegavam a mim, mas eu não obtive resposta — afirmou.

A assessoria de Airton nega o contato. O procurador-geral de Canoas afirma que a prefeitura não poderia abrir uma investigação sem o registro de denúncia formal:

— Não existe como ser aberto qualquer tipo de investigação com meras palavras, isso tem de ser formalizado. Fizeram a formalização com o Ministério Público e com a Polícia, que tomou atitudes.

Além da sindicância da prefeitura, a Câmara de Vereadores de Canoas criou uma comissão especial para acompanhar os desdobramentos da operação contra Paula Lopes. A medida foi aprovada por unanimidade, com adesão dos vereadores que integram o governo. O grupo será presidido pelo vereador Cris Moraes (PV), que tem atuação na causa animal.

Contraponto

Paula foi exonerada da prefeitura no dia 13 de agosto. No momento, responde pela secretaria o interino Sandro Manoel Machado. A reportagem de procurou a defesa da ex-secretária e o espaço permanece aberto a manifestações.

Nos stories do Instagram, ela confirmou o cumprimento de mandado em sua residência, afirmou que o seu celular foi confiscado e disse que as denúncias são infundadas.

— Isso é só mais um reflexo do que a política faz — diz ela. — O meu único objetivo vai ser sempre ajudar os animais.

Paula ainda contou que foi alvo de outras denúncias do Ministério Público no passado, que não foram adiante e que o trabalho dela "incomoda" outras pessoas. Ela prometeu divulgar "as verdades disso tudo" assim que possível.

Fonte: GZH

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