09/03/2026 | 13:45 | Polícia
Investigação aponta uso de empresas fictícias, "laranjas" e movimentações financeiras suspeitas para aplicar golpes em instituições financeiras
A Polícia Civil deflagrou na manhã desta segunda-feira (9) uma operação interestadual contra um esquema de fraudes bancárias que movimentou mais de R$ 136 milhões em menos de 10 meses. De acordo com a investigação, os suspeitos têm ligação com o Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Rio de Janeiro com atuação em todo o país.
Ao todo, são cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, na região metropolitana fluminense, na Região dos Lagos e também no Rio Grande do Sul. A Justiça ainda determinou o bloqueio de contas bancárias, bens e imóveis de alto padrão ligados aos investigados.
A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).
Até o momento, um dos alvos foi preso em flagrante por estar com um automóvel de alto padrão roubado. Os policiais também realizaram o sequestro de dois imóveis localizados nas cidades de Rio das Ostras e Nova Iguaçu.
Segundo a investigação, a organização criminosa mantinha uma estrutura complexa voltada à fraude contra instituições financeiras. O grupo utilizava empresas de fachada, documentos falsos e pessoas interpostas — os chamados "laranjas" — para abrir contas empresariais de forma irregular, obter crédito de maneira indevida e ocultar a origem dos valores obtidos ilegalmente.
As apurações indicam que um dos principais operadores financeiros do esquema foi responsável por movimentar cerca de R$ 136 milhões em um período inferior a 10 meses. Os investigadores também identificaram indícios de que o mesmo criminoso atuava em fraudes envolvendo seguros, utilizando empresas fictícias e laranjas para obter indenizações securitárias de forma irregular.
A investigação começou após uma instituição financeira comunicar suspeitas de irregularidades na abertura de contas empresariais e na concessão fraudulenta de crédito. Inicialmente, o prejuízo identificado ultrapassava R$ 5,2 milhões.
Com o avanço das apurações e a análise de relatórios de inteligência financeira, os policiais passaram a identificar movimentações de alto valor, incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. A partir daí, foi possível mapear um sistema estruturado de movimentação e ocultação de recursos ilícitos no sistema financeiro.
De acordo com a polícia, diversos operadores financeiros ligados ao esquema possuem antecedentes criminais por delitos como tráfico de drogas, roubo e associação criminosa. Há indícios de que parte dos recursos obtidos com as fraudes era destinada ao financiamento de atividades relacionadas ao tráfico de entorpecentes.
Durante as diligências realizadas nesta segunda-feira, os agentes buscam apreender documentos, dispositivos eletrônicos, registros contábeis, valores em dinheiro e bens de alto valor que possam estar relacionados às atividades ilícitas. A operação também pretende identificar todos os integrantes da rede financeira envolvida nas fraudes e aprofundar o rastreamento do fluxo de dinheiro utilizado para movimentar e ocultar os recursos.