Liliane de Grammont tinha apenas dois anos quando perdeu a mãe, assassinada pelo ex-marido e pai de Lili, como é conhecida. O caso, que ganhou repercussão nacional à época, e a história da menina órfã fortaleceram a mulher que hoje, aos 46 anos, se tornou ativista pelos direitos humanos e pelo combate à violência de gênero.
Lili de Grammont está nesta quinta-feira (26) em Porto Alegre para a abertura do seminário: "Ampliando o olhar de Justiça – feminicídio, subnotificação e respostas institucionais". O evento, promovido pelo Ministério Público (MP-RS) segue até sexta (27), aberto ao público e com entrada gratuita. A programação ocorre no Auditório Mondercil Paulo de Moraes, na sede do MP-RS.
— Minha mãe vive em cada mulher que não morre. Falar em um seminário para pessoas que trabalham na linha de frente do enfrentamento da violência, promotores, juízes, defensores, é falar da mulher que vive em mim, na minha história, mas em tantas outras que estão aqui — diz a palestrante.
Lili se tornou coreógrafa, psicóloga, e palestrante. Sua manifestação no seminário é intitulada “Órfã do feminicídio: transformando a dor em força”. Para ativista, quebrar o silêncio, identificar e evitar a violência são responsabilidades das políticas públicas associadas à conscientização de toda a sociedade.
— Feminicídio é um crime evitável e uma morte anunciada, na maioria dos casos. A violência tem começo e fim. Começa com a pressão psicológica, dá sinais até se tornar fatal — sinaliza Lili.
RS tem 47 novos órfãos de feminicídio em 2026
Com base nas informações disponíveis sobre 24 feminicídios registrados neste ano no Rio Grande do Sul, o MP-RS identificou 47 órfãos, sendo 15 maiores de 18 anos e 27 com menos de 18 anos. Há outros cinco órfãos vinculados a um caso específico, cuja vítima era natural da Paraíba. Os filhos residem naquele Estado, não sendo possível, até o momento, determinar se são maiores ou menores de idade.
Lili de Grammont contextualiza a própria experiência como alerta de que o extremo da violência costuma partir de comportamentos enraizados.
Não está longe de nós. Meu pai não era um monstro. Era um homem socialmente perfeito, mas autor de violência, misógino e machista.
Políticas voltada aos filhos
Embora uma recente e importante lei permita pagamento de pensão a órfãos de feminicídios, a ativista observa que é preciso ir além de políticas financeiras. Propõe e tem discutido em seminários e palestras em todo país a criação de Centro de Referências aos Órfãos de Feminicídios, que ela mesma denomina de Crofs.
— O Brasil registra cerca de 2 mil órfãos de feminicídio por ano. O trauma psicológico é profundo. A violência acaba quando a mãe morre, mas, para o filho, é outra violência que começa. Acaba também a ideia da paternidade, porque também "morre" esse pai e nasce um assassino — salienta Lili.
Quem é Lili de Grammont
Liliane de Grammont, 46 anos, é dançarina, psicóloga, ativista e palestrante. Atualmente, é coreógrafa da Cia de Dança de São José dos Campos e trabalha também com outros grupos artísticos.
A artista utiliza a dança e o diálogo sobre direitos humanos para combater a violência contra a mulher.
É filha única dos cantores Eliane de Grammont (assassinada pelo pai em 1981) e Lindomar Castilho.
O assassinato da mãe
Eliane era cantora de MPB e morreu aos 26 anos. Em 1981, retomava a carreira após o fim do relacionamento com o companheiro. Na madrugada de 30 de março daquele ano, fazia uma apresentação na boate Belle Époque, em São Paulo. Cantava uma versão do clássico João e Maria, de Chico Buarque, quando seu ex-marido entrou e a matou a tiros. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu a caminho do hospital.
O homem foi preso em flagrante, mas posteriormente respondeu em liberdade até ser condenado a 12 anos e dois meses de prisão. O júri ocorreu em 1984. Ele ganhou a liberdade em 1996.
Lili foi criada pela avó materna, que morreu quando ela tinha 15 anos. Somente depois, aproximou-se mais do pai para conhecer a própria história.
Em 2025, Lindomar faleceu, aos 85 anos, em decorrência de uma infecção pulmonar. Nos três anos que antecederam a morte, Lili cuidou do pai.
— A dor do filho que perde a mãe tem camadas emocionais muito profundas. Não é uma questão de perdoar ou não, mas de compreender-se também como vítima. Entender que amor não é violento, crescer sem reproduzir isso — afirma.
O Seminário
"Ampliando o olhar de Justiça – feminicídio, subnotificação e respostas institucionais"
- 26 e 27 de março de 2026
- Dia 26, das 17h30min às 20h; e dia 27, das 9h às 17h
- Auditório Mondercil Paulo de Moraes, na sede do MP-RS (Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 80, 3º andar, em Porto Alegre
Saiba mais
- O objetivo do encontro é ampliar a compreensão e qualificar a atuação do Sistema de Justiça e da segurança pública no reconhecimento, investigação, persecução penal e julgamento dos crimes e tentativas de feminicídio.
- Com isso, contribuir para a redução da subnotificação e para o fortalecimento das respostas institucionais.
- Outra proposta é qualificar a investigação criminal com perspectiva de gênero, discutir estratégias de prevenção, gestão de risco e proteção das vítimas e fortalecer a atuação integrada entre MPRS, TJRS e Polícia Civil.
Como pedir ajuda em caso de violência contra a mulher
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanosComo pedir ajuda
Brigada Militar – 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado.
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas.
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências).
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h.
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link.
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas – Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição.
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site.
Defensoria Pública - Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a).
Disque 100 - Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos