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| 14:24 | Segurança 4 min de leitura

MP pede que igreja devolva R$ 179 mil desviados do Pronto Socorro de Pelotas

Ao Ministério Público do RS, ex-diretor da unidade de saúde confessou ter utilizado contas do hospital para pagar obras em templo da Igreja do Evangelho Quadrangular

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Ao Ministério Público do RS, ex-diretor da unidade de saúde confessou ter utilizado contas do hospital para pagar obras em templo da Igreja do Evangelho Quadrangular
Igreja recebeu obras pagas com recursos desviados do Pronto Socorro de Pelotas. Douglas Dutra / Agencia RBS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ingressou com uma ação civil pública contra a Igreja do Evangelho Quadrangular cobrando uma indenização de R$ 179,4 mil por recursos desviados do Pronto Socorro (PS) de Pelotas. O ex-diretor do PS e membro da igreja, Misael Aguiar da Cunha, também é alvo da ação — ao MPRS, ele confessou ter realizado os desvios. Dele, o Ministério Público cobra a devolução de R$ 165,3 mil em desvios. No total, o prejuízo aos cofres públicos chega a R$ 344.744,49.

Segundo a denúncia, apresentada pelo promotor José Alexandre Zachia Alan, os desvios ocorreram entre janeiro de 2022 e março de 2023. Cunha, que é filho da pastora da congregação do Jardim Europa, no bairro Areal, se aproveitava da condição de diretor administrativo e financeiro do Pronto Socorro para benefício próprio, da igreja e dos próprios pais.

Os desvios se davam através de contratos com três prestadores de serviços. Em um dos casos, uma empresa de construção recebeu R$ 126 mil das contas do PS para realizar obras de reforma na igreja. Além disso, o MPRS identificou que Misael fez um pagamento de R$ 16 mil para a empresa e, alegando ter sido um engano, solicitou a devolução dos recursos para a própria conta.

Outro caso envolveu uma empresa de esquadrias que jamais prestou serviços para o Pronto Socorro e recebeu R$ 40 mil para a confecção de janelas e portas para a igreja. Através desta empresa, Misael desviou R$ 42,5 mil para a própria conta.

O terceiro caso envolveu uma empresa de marcenaria que recebeu R$ 13 mil para a confecção de móveis planejados para a igreja e R$ 36,8 mil para móveis sob medida para os apartamentos de Misael e dos pais. Esta é a única empresa neste processo que de fato chegou a prestar serviços ao PS. Por esta empresa, Misael recebeu R$ 69,8 mil na própria conta.

Ao Ministério Público, Misael confessou ter realizado os desvios. Procurada, a defesa de Misael da Cunha afirma que ainda não foi intimada e que "só podemos dar alguma posição após conhecimento da demanda". 

A reportagem tenta contato com representantes da Igreja do Evangelho Quadrangular Jardim Europa, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.

Prejuízo total supera R$ 1,4 milhão

As suspeitas de desvios do Pronto Socorro de Pelotas começaram a ser apuradas pelo Ministério Público no começo de 2024, através da Operação Contágio. Segundo um balanço apresentado em outubro de 2025, a investigação já identificou ao menos R$ 1,4 milhão em desvios do Pronto Socorro, operados pelo ex-diretor administrativo e financeiro, Misael da Cunha.

Os desvios foram identificados pelo então diretor do Hospital Universitário São Francisco de Paula (Husfp), que presta o serviço de pronto-socorro para o município de Pelotas. Embora o hospital fosse o prestador do serviço, o cargo de direção era indicado pelo município e tem autonomia para a gestão das contas.

De acordo com a investigação, desvios eram realizados através de pagamentos sem nota e emissão de notas duplicadas para a prestação de serviços de portaria. Em fases anteriores, Misael da Cunha e o proprietário da empresa de portaria, Roberto Carlos Leão, foram denunciados por peculato, corrupção ativa e corrupção passiva. Ambos confessaram participação no esquema, conforme o MP. Nos casos das empresas de reforma, esquadrias e marcenaria, não foi identificada a participação dos empresários.

Além do MP, o caso também foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Vereadores de Pelotas, que identificou R$ 773,7 mil em pagamentos sem nota fiscal e R$ 1,5 milhão em notas duplicadas pelo serviço de portaria.

Em agosto de 2024, Misael foi denunciado pelo desvio de R$ 258,3 mil das contas do PS. Em fevereiro de 2025, ele foi preso preventivamente para evitar o contato dele com possíveis testemunhas. Em maio de 2025 ele foi solto e passou a responder em liberdade.

Quais foram os desvios?

Para a igreja

  • R$ 126.128,28 entre março de 2022 e abril de 2023 para uma empresa de construção que realizou reformas na igreja. Trabalho incluiu demolição de laje, reforma da fachada e da estrutura interna, revestimento das paredes, colocação de assoalho e instalação de carpetes, cortinas e vidros. Empresa não prestou serviços para o Pronto Socorro.
  • R$ 13.209,53 em móveis planejados para a Igreja.
  • R$ 40.086,30 para empresa de esquadrias que confeccionou portas e janelas para a igreja. 

Para Misael da Cunha

  • R$ 16.066,66 enviados da conta do Pronto Socorro para a empresa de construção e devolvidos para a conta de Misael da Cunha.
  • R$ 36.847,22 em móveis planejados para os apartamentos de Misael da Cunha e seus pais.
  • R$ 69.883,00 enviados do Pronto Socorro para a empresa de marcenaria e devolvidos para a conta de Misael da Cunha.
  • R$ 42.553,50 em recursos devolvidos através da empresa de esquadrias.

Total para a igreja: R$ 179.424,11

Total para Misael da Cunha: R$ 165.350,38

Fonte: GZH

Ao Ministério Público do RS, ex-diretor da unidade de saúde confessou ter utilizado contas do hospital para pagar obras em templo da Igreja do Evangelho Quadrangular
Misael foi preso preventivamente em fevereiro de 2025. Ministério Público / Divulgação
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