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Nova fase da Operação Carbono Oculto investiga fraude de mais de R$ 200 milhões no setor de combustíveis

Ofensiva, que apura infiltração do PCC no setor, cumpre 55 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira

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Ofensiva, que apura infiltração do PCC no setor, cumpre 55 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira
Ofensiva investiga a infiltração do PCC no setor de combustíveis. Ariéli Ziegler / Agência RBS

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.

A ação cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os alvos estão empresários, operadores logísticos e pessoas apontadas como "laranjas" no esquema.

Segundo a investigação, mesmo após operação em agosto de 2025, o grupo criminoso continuou atuando para lavar dinheiro, adulterar combustíveis e sonegar impostos, o que evidencia um "alto grau de organização".

De acordo com o MP-SP, o grupo passou a concentrar a movimentação financeira de dezenas de postos de combustíveis para dificultar a fiscalização. Em um dos casos, 56 postos operavam por meio de uma única conta bancária. Nos últimos meses, os investigados também migraram recursos entre diferentes fintechs e criaram novas empresas para substituir aquelas já expostas.

A investigação aponta que o esquema seria liderado por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco". Ambos estão foragidos desde agosto do ano passado, em decorrência da Operação Tank, deflagrada pela Polícia Federal no mesmo dia da Carbono Oculto.

Os dois empresários chegaram a tentar um acordo de delação premiada com o MP paulista, mas a proposta foi rejeitada. Conforme os promotores, houve omissão de informações relevantes sobre lavagem de dinheiro, conexões com o PCC e corrupção policial.

Relatórios de inteligência financeira identificaram movimentações atípicas próximas de R$ 4 bilhões. Segundo a apuração, fintechs e plataformas de pagamento eram utilizadas como "dutos financeiros" para viabilizar o esquema.

Além das investigações sobre lavagem de dinheiro, a operação desta quinta-feira também atua em duas frentes relacionadas à chamada "máfia do nafta" e à adulteração de combustíveis.

O grupo utilizava empresas de solventes petroquímicos importados — que têm tributação inferior — para comercializar o produto ilegalmente como gasolina. O prejuízo estimado com a sonegação fiscal ultrapassa R$ 200 milhões.

O Ministério Público e a Receita também apuram a ocultação de patrimônio por meio de fundos de investimento. Segundo os investigadores, o grupo utilizava o mercado financeiro formal para liquidar operações fraudulentas e ocultar os beneficiários dos lucros obtidos com a adulteração.

A operação está dividida em duas frentes. A primeira envolve fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) e instituições financeiras, usados para lavar dinheiro e esconder patrimônio. De acordo com os promotores, Mourad e Leme da Silva, ligados ao Grupo Aster/Copape, continuaram movimentando recursos por meio de "laranjas" mesmo após a operação de 2025, com o objetivo de driblar medidas judiciais.

Essas transações não foram informadas na proposta de colaboração premiada apresentada pelos investigados, o que contribuiu para a rejeição do acordo pelo Ministério Público.

A segunda frente trata do uso irregular de nafta. O MP apresentou denúncia contra oito suspeitos por envolvimento no esquema de importação e utilização do derivado de petróleo na adulteração de combustíveis. Os investigados são acusados de adulteração de produto, falsidade ideológica em milhares de notas fiscais e organização criminosa.

Os promotores solicitaram a prisão dos suspeitos, mas a Justiça de Capivari, no interior paulista, negou os pedidos.

Durante a apuração, os investigadores identificaram que os mesmos fundos utilizados na primeira fase da operação, ligados a portos de entrada do produto no país, continuam sendo usados no esquema.

Também foram detectadas empresas criadas recentemente, em fevereiro e março deste ano, em nome de "laranjas", incluindo pessoas presas e moradores em situação de rua. Uma das empresas está registrada em um endereço denominado "Travessa da Lambança".

Fonte: GZH

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