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| 10:12 | Educação 5 min de leitura

Novo Plano Estadual de Educação do RS deve ser implementado em 2027; entenda o processo

Em consonância com a orientação nacional, construção dos projetos locais tem prazo de um ano para aprovação

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Deve ficar pronto no primeiro semestre de 2027 o novo Plano Estadual de Educação do Rio Grande do Sul. O documento, com vigência de 10 anos, definirá uma série de metas para estabelecer prioridades e nortear as políticas públicas a serem implementadas no Estado. 

Sancionado em abril de 2026, o Plano Nacional de Educação (PNE) definiu 17 diretrizes, 19 objetivos, 73 metas e 372 estratégias para a educação nacional a serem cumpridos em uma década. Estabelecido pela Lei 15.388/2026, o documento orienta a elaboração dos planos estaduais e municipais

No RS, está em andamento o diagnóstico para mapear os principais gargalos da educação gaúcha e elaborar a minuta do plano estadual, que será encaminhada ao Executivo estadual até o final do ano, segundo a previsão do Fórum Estadual de Educação do RS, que acompanha a execução do plano.

Após a aprovação no Conselho Estadual de Educação, o documento precisa passar por avaliação na Assembleia Legislativa para se tornar lei. Por fim, segue para sanção do governador.

— O diagnóstico é a parte mais importante, porque vai direcionar quais ações, metas e iniciativas teremos ao longo do ano. Tudo isso tem que estar em consonância com as metas nacionais, porque é um sistema nacional de educação e todos têm que estar convergindo para as mesmas metas — explica a subsecretária de governança e gestão da rede escolar da Secretaria Estadual da Educação (Seduc), Neri Barcelos.

Todos os planos estaduais precisam ser aprovados até abril de 2027, conforme o prazo do governo federal. Entre os objetivos que sustentam a elaboração do plano estadual estão:

  • Acesso à Educação Infantil 
  • Alfabetização 
  • Acesso, trajetória e conclusão no Ensino Fundamental e no Ensino Médio 
  • Aprendizagem no Ensino Fundamental e no Ensino Médio 
  • Expansão da rede de Educação Profissional e Tecnológica 
  • Qualidade da Educação Profissional e Tecnológica 
  • Educação em tempo integral 
  • Conectividade e educação digital  
  • Sustentabilidade socioambiental na educação 
  • Educação escolar indígena, quilombola e do campo 
  • Educação Especial Inclusiva e Educação Bilíngue de Surdo 
  • Educação de Jovens, Adultos e Idosos, das águas e das florestas 
  • Acesso, permanência e conclusão na Educação Superior 
  • Qualidade da Educação Superior 
  • Pós-Graduação stricto sensu 
  • Formação e valorização dos profissionais da Educação Básica 
  • Gestão democrática e participação social 
  • Financiamento e infraestrutura da educação 

Implementação em foco 

Na avaliação do presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Cesar Callegari, o atingimento das metas depende de uma série de fatores, como investimento e vontade política, mas também formação e valorização de professores. Para que o plano seja bem-sucedido, é preciso garantir melhores condições de trabalho no magistério, como remuneração digna e limites na jornada dos profissionais.  

— No Brasil, um professor de Educação Básica para uma jornada de 40 horas tem que ter uma remuneração inicial de R$ 11 mil. Nós temos condições de fazer isso, é uma questão de decisão política. Se colocarmos na balança o que o Brasil entrega para os bancos e para o sistema financeiro, em termos de serviço da dívida, e aquilo que se investe na educação, estamos verificando que nós estamos dando muito mais valor para o dinheiro do que para as pessoas — avalia Callegari.  

Na visão dele, o monitoramento bienal das metas será importante para garantir a implementação do plano. Esse instrumento não existia no plano com vigência até 2025, que encerrou com diversos objetivos não atingidos e resultados abaixo do esperado. 

— Hoje nós temos uma capacidade de monitoramento, seja pelo governo federal, pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que faz essas pesquisas, como também as avaliações dos Estados e municípios, que permitem um acompanhamento. A gente não pode mais esperar o fim do prazo de validade do plano para dizer se a gente conseguiu ou não conseguiu. Eu tenho que perceber passo a passo se os objetivos e metas estão sendo atingidos — destaca. 

Metas robustas

Para a educadora Carolina Campos, advogada e diretora executiva do Vozes da Educação, o novo PNE começa com a vantagem de ter um monitoramento mais rigoroso e metas mais robustas.

— Antes tínhamos 20 metas muito genéricas. Se tinha um foco principal de garantir acesso, a universalização da educação, e não havia uma governança muito definida para a fiscalização da execução dos planos. Agora teremos um acompanhamento mais estratégico — afirma.

Embora tenha entre os objetivos a universalização da oferta de pré-escola para crianças de quatro a cinco anos, que foi uma das metas não cumpridas do plano anterior, o novo PNE visa também qualificar o ensino. Redução de desigualdades regionais, promoção da educação digital e da educação para a sustentabilidade estão em foco. Outro ponto inédito é a resiliência climática

— Dessa vez, o PNE traz muitas coisas específicas, como a resiliência climática de escolas diante de desastres, que é um dos pontos importantes para o RS. A meta se aplica para todo o território nacional. Agora, isso consta nacionalmente como uma determinação do governo, tem uma relevância muito importante.

De acordo com Carolina, os principais gargalos a serem resolvidos com o novo plano são a evasão escolar e o acesso à etapa creche, que já eram lacunas apontadas no PNE anterior. Atualmente, menos de 50% das crianças de até três anos são atendidas.

Agora, a meta foi elevada – o objetivo é atingir, no mínimo, 60% das crianças de até três anos até 2036.

— Se a gente fosse fazer um sinal, eu daria cor verde para Ensino Fundamental. Temos uma boa cobertura para crianças de 4 a 14 anos, inclusive maior do que muitos países. O amarelo ficaria no Ensino Médio, por conta das questões de evasão e de não continuidade da escola. E vermelho para creche, que é o nosso maior ponto de atenção — ressalta Carolina.

Fonte: GZH

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