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10/06/2015 | 05:14 | Política

Empreiteira doou R$ 3 milhões a Instituto Lula, diz jornal

Valor teria sido pago pela construtora Camargo Corrêa, uma das líderes do cartel acusado de corrupção pela Lava Jato

Valor teria sido pago pela construtora Camargo Corrêa, uma das líderes do cartel acusado de corrupção pela Lava Jato
Assessoria de instituto afirma que valores foram doados legalmente, sem qualquer relação com a Petrobras ou eleições (Foto: Jonas Ramos / Agencia
A construtora Camargo Corrêa pagou R$ 3 milhões para o Instituto Lula e R$ 1,5 milhão para a LILS Palestras Eventos e Publicidade, empresa do ex- presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2011 e 2013, de acordo com informações do jornal Estado de São Paulo. É a primeira vez que os negócios do petista aparecem nas investigações da Operação Lava-Jato, que apura um esquema corrupção e cartel na Petrobras.
De acordo com o Estadão, o registro sobre o elo da empreiteira com Lula consta em laudo da Polícia Federal, anexado nesta terça-feira aos autos da investigação.
A perícia foi realizada na contabilidade da Camargo Corrêa de 2008 a 2013, período em que a empreiteira recebeu R$ 2 bilhões da Petrobras. O documento mostra que a construtora repassou R$ 183 milhões em "doações de cunho político", destinadas a candidaturas e partidos da situação e da oposição.
O Instituto Lula, criado pelo ex-presidente após deixar o Planalto, em 2011, recebeu três pagamentos de R$ 1 milhão cada. Dois são registrados como "Doações e Contribuições": um em 2 de dezembro de 2011 e outro de 11 de dezembro de 2013. O que chamou a atenção dos investigadores foi o lançamento de 2 de julho de 2012, sob a rubrica "Bônus Eleitoral".
No caso dos pagamentos ao LILS, cujo endereço declarado é a própria residência de Lula, em São Bernardo do Campo, a empreiteira registrou o deposito em conta corrente de R$ 337,5 mil, em 26 setembro de 2011, R$ 815 mil, em 17 de dezembro de 2012, e R$ 375,4 mil, em 26 de julho de 2013. Esses valores, que somam R$ 1,5 milhão, são tratados pela empreiteira como serviços de "consultoria".
No mesmo documento da PF, constam os pagamentos da Camargo Corrêa para a JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro José Dirceu — laudo aponta que foram lançados como pagamentos para a JD, entre 2010 e 2011, R$ 900 mil, em dez depósitos bancários. O político é investigado por suposto uso das consultorias para empresas do cartel como forma de ocultar propina para o PT. Lula não é alvo de investigação da Lava-Jato.
O Instituto Lula informou ao Estadão, por meio de sua assessoria de imprensa, que os valores registrados na contabilidade da Camargo Corrêa foram doados legalmente, sem qualquer relação com a Petrobras ou eleições. "O Instituto Lula não prestou nenhum serviço eleitoral, tampouco emite bônus eleitorais, o que é uma prerrogativa de partidos políticos, portanto deve ser algum equívoco."
Segundo a assessoria do instituto, "os valores citados no seu contato foram doados para o Instituto Lula para a manutenção e desenvolvimentos de atividades institucionais, conforme objeto social do seu estatuto, que estabelece, entre outras finalidades, o estudo e compartilhamento de políticas públicas dedicadas à erradicação da pobreza e da fome no mundo". A assessoria informou ainda que "os três pagamentos para a LILS são referentes a quatro palestras feitas pelo ex-presidente, todas elas eventos públicos e com seus respectivos contratos". A Camargo Corrêa não respondeu aos questionamentos do jornal.
Fonte: Zero Hora
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