A Comissão de Ética da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul recomendou a abertura de processo disciplinar para
investigar as denúncias contra o deputado estadual Diógenes Basegio, do PDT, suspeito de diversas irregularidades. O procedimento abre caminho para uma possível
cassação do parlamentar.
O relatório do corregedor da Casa, deputado Marlon Santos, também do PDT, foi lido na tarde desta
terça-feira (30). Segundo o corregedor, as denúncias sobre a contratação de funcionários fantasmas por parte do deputado podem configurar quebra do decoro
parlamentar.
Agora, uma subcomissão com três deputados será montada para apurar as denúncias contra Basegio. Ao fim de 10 sessões, se a
recomendação for de punição contra o parlamentar, o caso será levado ao Plenário para análise dos demais deputados e pode terminar em perda
do mandato do pedetista.
Funcionários fantasmas
As denúncias contra Dr. Basegio vieram a público no
início do mês em reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo. O parlamentar é suspeito de exigir parte do salário de servidores, contratar
funcionários “fantasmas” e fraudar gastos com diárias e combustíveis.
Foi o ex-chefe de gabinete do deputado, Neuromar Gatto, quem
denunciou o esquema. Ele revelou a existência de fantasmas como Janaina Ribeiro Silveira, mulher do vereador Dedo, do PDT de Alvorada. Além de não trabalhar, ela
devolvia a maior parte do salário de R$ 6 mil, assim como fazia Hedi Vieira, de Passo Fundo.
Outro fantasma era o assessor Álvaro Ambros, também de
Passo Fundo. Além de devolver parte do salário, segundo Gatto, ele cuidava de um albergue aberto em nome de laranjas para hospedar familiares de doentes em troca de
voto.
O ex-chefe de gabinete disse ainda que assessores desviavam diárias de viagens e que os medidores de quilometragem dos carros do gabinete eram
adulterados para o deputado receber mais verbas de combustível.
PDT aguarda investigação
Quase um
mês após a denúncia contra o deputado Dr. Basegio, o PDT ainda não abriu investigação para apurar as denúncias contra o deputado. O
presidente do partido no estado, Pompeo de Mattos, diz que o parlamentar foi afastado da liderança da bancada na Assembleia e que aguarda o resultado do processo na Comissão
de Ética da casa.
“Qualquer julgamento tão somente pela entrevista pode ser injusto, antecipado. Para ser correto, precisamos equilibrar as duas
partes e é isso o que estamos esperando”, justificou Mattos.
O diretório municipal do PDT em Passo Fundo, berço político do deputado,
também não abriu processo ético e diz que vai esperar pelas investigações oficiais. Lideranças do partido, no entanto, reconhecem que as
denúncias contra Basegio são graves.
“As denúncias pela TV foram muito graves. Eu fiquei triste, não esperava do Basegio. Agora, o que
o partido está fazendo? Aguardando para ver o que vai fazer a Comissão de Ética da Assembleia Legislativa”, afirmou o senador Lasier Martins, em
Brasília.