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| 07:21 | Mundo 4 min de leitura

Principal ministro de Milei renuncia após admitir ter ocultado US$ 500 mil; entenda o caso

Chefe do gabinete de ministros, Manuel Adorni passou a ser investigado por gastos incompatíveis com a renda obtida

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Após quase três meses de fritura pública, o chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei renunciou ao cargo neste sábado (27). Paralelo argentino ao chefe da Casa Civil no Brasil, Manuel Adorni é alvo de investigação por enriquecimento ilícito. O político admitiu ter ocultado US$ 500 mil, valor equivalente a R$ 2,6 milhões.

Nas redes sociais, onde ficou conhecido por seu estilo feroz contra críticos e por frases de efeito, Adorni comunicou sua renúncia.

"Obrigado pela sua confiança, presidente. Foi uma verdadeira honra. Fim", escreveu.

O caso passou a ganhar repercussão na Argentina após a divulgação de uma foto da esposa de Adorni em viagem para Nova York. As semanas de cobranças da opinião pública e de negativas, posteriormente desmentidas por provas, geraram impactos políticos e judiciais ao ministro (entenda o caso abaixo).

Ainda assim, o presidente Javier Milei se recusava a demitir o funcionário, manifestando apoio público a Adorni.

Diego Santilli, antigo aliado do ex-presidente Mauricio Macri, irá assumir o cargo deixado por Adorni.

Quem é Manuel Adorni

Adorni, 46 anos, ingressou na política após a eleição de Milei em 2023.

Jornalista reconhecido por seu posicionamento ultraliberal, ele foi nomeado porta-voz da Casa Rosada. No posto, ficou marcado por discussões com repórteres, frequentemente atacados por apoiadores de Milei e pelo próprio presidente.

O porta-voz passou a ser uma das figuras públicas mais conhecidas do governo Milei e, graças à popularidade conquistada, foi o legislador mais votado nas eleições da cidade de Buenos Aires em 2025.

Apesar disso, Adorni não assumiu o cargo. Voltou para a Casa Rosada e ganhou mais poder. Em outubro de 2025, foi nomeado chefe do gabinete de ministros, cargo responsável pelo alinhamento entre as pastas do governo e pela execução orçamentária.

Viagem da esposa desatou escândalo

Em 8 de março de 2026, Adorni acompanhou Milei em uma viagem institucional a Nova York. Quase um mês depois, uma foto publicada nas redes sociais mostrou que a esposa do ministro, Bettina Angeletti, esteve na comitiva do governo e viajou no avião oficial. Na ocasião, Adorni negou que a viagem da esposa tivesse sido bancada com dinheiro público.

Posteriormente, surgiram imagens do casal viajando em um jato privado a Punta del Este, destino turístico de luxo no Uruguai. Adorni argumentou que a viagem foi de caráter privado. Contudo, a imprensa e a oposição levantaram questões sobre a renda da família, que seria incompatível com o salário do ministro.

Documentos descobertos mostraram, ainda, que Adorni era proprietário de imóveis não declarados em nome dele. Dois apartamentos teriam sido comprados pelo ministro em dólares, com a fiança de duas aposentadas. No entanto, as idosas negaram conhecer Adorni.

"Nunca houve ocultação"

Em meio às revelações, Adorni negou ou minimizou as denúncias. Vez ou outra, suas versões eram desmentidas por novas provas levadas à Justiça.

Ao Congresso, em 29 de abril, o ministro disse que "nunca houve ocultação alguma" de seu patrimônio. Milei acompanhou o depoimento nas galerias do parlamento argentino e, aos gritos, chamou opositores e jornalistas de "corruptos" e "ladrões".

Dólares em dinheiro vivo

Em maio, após Adorni ter reafirmado que não ocultava bens, foi descoberta uma reforma na casa do ministro em um condomínio de luxo. O aliado de Milei havia gasto US$ 246 mil em dinheiro vivo para construir uma piscina com cascata, um ofurô e uma churrasqueira.

A situação de Adorni começou a desagradar aliados dentro da Casa Rosada, mas não Javier Milei, que manteve o apoio ao ministro.

Confissão

No dia 10 de junho, o ex-porta-voz, enfim, admitiu:

— Juntamos dinheiro por fora, como todos os argentinos.

As cifras não declaradas, segundo o próprio Adorni, chegam a US$ 500 mil. O dinheiro teria sido obtido por meio de negociações com criptomoedas, em contraste com o perfil supostamente austero exposto por ele nas redes sociais.

O governo Milei e aliados no Congresso conseguiram evitar medidas mais duras contra Adorni, como inevstigações legislativas e até moções de censura. Contudo, após tamanho desgaste, o ministro optou pela renúncia. A investigação por enriquecimento ilícito segue tramitando na Justiça.

Fonte: GZH

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