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| 05:12 | Política 3 min de leitura

André Mendonça autoriza PF a abrir inquérito para investigar suposto tráfico de influência de Lulinha no governo

Corporação aponta suspeitas de que o empresário negociava acesso ao governo federal em troca de pagamentos

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Corporação aponta suspeitas de que o empresário negociava acesso ao governo federal em troca de pagamentos
Mendonça atendeu a um pedido da PF para dar início à investigação. Rosinei Coutinho / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir um inquérito para investigar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).  

Relator do caso, Mendonça atendeu a um pedido da PF para dar início à investigação. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Procurada, a defesa de Lulinha disse que recebeu "com tranquilidade" a informação e afirmou que o filho do presidente não obteve nenhum pagamento por negócios de empresários com o governo Lula (leia mais no fim do texto).

O pedido de abertura do inquérito foi encaminhado à presidência do STF com a sugestão de distribuição livre entre os ministros, o que retiraria o caso da relatoria de Mendonça. A presidência da Corte, no entanto, decidiu manter o processo com o ministro por entender que há conexão com as investigações sobre os desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Nas últimas semanas, Mendonça vinha cobrando da PF informações sobre o andamento das apurações envolvendo Lulinha, o que teria gerado descontentamento na corporação. Segundo o pedido de investigação, a PF aponta suspeitas de que o empresário praticava tráfico de influência junto ao Palácio do Planalto e ao Ministério da Saúde. A investigação busca apurar se o filho do presidente negociava acesso ao governo federal em troca de pagamentos.

O nome de Lulinha surgiu nas investigações sobre desvios de aposentadorias por causa de sua relação com um dos empresários investigados como líder do esquema, Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

Lulinha chegou a admitir em documento protocolado no STF que viajou a Portugal com as despesas pagas pelo "Careca do INSS" para prospectar um negócio de cannabis medicinal. Esse negócio seria intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e responsável por apresentá-lo ao "Careca do INSS". Ela recebeu pagamentos de R$ 1,5 milhão do empresário e afirmou que prestou serviços de consultoria para regulação do mercado de cannabis medicinal no Brasil.

Como revelou o Estadão, a PF suspeita que Lulinha seria sócio oculto do "Careca do INSS" e, por causa disso, informou no final do ano a André Mendonça que iria aprofundar as suspeitas sobre o filho do presidente. Agora, os investigadores entenderam que os fatos encontrados sobre Lulinha não têm relação direta com os desvios do INSS e, por isso, decidiram pedir um inquérito autônomo para investigar o assunto. 

O que diz a defesa

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, considerou "estranha" a instauração do novo inquérito e citou "pesca probatória". 

— Importante dizer que o presidente Lula devolveu as instituições de Estado à sociedade brasileira, notadamente a Polícia Federal, que tinha sido capturada pelo governo anterior por interesses políticos e eleitorais. A PF recuperou a independência e autonomia que são determinantes para a manutenção da credibilidade da instituição, mas ela precisa usar com responsabilidade — afirmou a defesa. 

— É estranha a notícia sobre a instauração de novo inquérito, a impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de pesca probatória. 'Não achei nada aqui e vou procurar ali'. Isso é muito grave. Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos —completou.

Fonte: GZH

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