Facebook Instagram X WhatsApp


| 19:19 | Economia 7 min de leitura

Governo Lula anuncia proibição de bets no país

Apostadores têm até 5 de outubro para resgatar dinheiro nas plataformas de apostas

Compartilhar:
Apostadores têm até 5 de outubro para resgatar dinheiro nas plataformas de apostas
Em declarações recentes, Lula tem reforçou suas críticas às plataformas de apostas. Ricardo Stuckert / Divulgação

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta sexta-feira (25), a proibição de bets no país. A medida — publicada a nove dias da eleição — inclui apostas esportivas e cassinos online e tem como objetivo reduzir endividamento das famílias brasileiras.

O anúncio foi realizado pelo ministro Fazenda, Dario Durigan, que informou, durante evento em São Paulo, que Lula assinou uma medida provisória que proíbe as apostas e determina prazo para que apostadores resgatem seu dinheiro.

— A partir de hoje não se pode mais colocar dinheiro nos sites de apostas do Brasil. O site ficará disponível para os apostadores fazerem resgate do saldo remanescente até as 23h59min de 5 de outubro — afirmou Durigan.

Se o apostador não conseguir retirar o dinheiro no prazo, os bancos que operam para bets serão responsáveis por fazer a devolução entre 9 e 14 de outubro.

A partir de 6 de outubro, haverá determinação para que os sites de apostas sejam bloqueados.

O presidente Lula, que está no evento, mas ainda não se manifestou sobre o assunto, também deve enviar ao Congresso um projeto de lei que criminaliza exploração do jogo, com pena de até seis anos de prisão.

Durigan também informou que o governo está lançando um novo programa de renegociação de débitos de pessoas físicas. O foco será, principalmente, nas dívidas antigas, em que o governo comprará esses débitos com desconto. 

Autorizadas durante o governo de Michel Temer, em 2018, as bets funcionaram sem regulamentação até 2023, quando uma nova lei sobre o tema foi aprovada. O mercado regulado passou a valer após a regulamentação promovida pelo governo atual, em 2025, além da análise do Ministério da Fazenda sobre as empresas autorizadas.

O anúncio em seis pontos

  • 5 de outubro: prazo para apostadores resgatarem saldo das plataformas
  • A partir de 6 de outubro: sites e aplicativos de apostas serão bloqueados e sairão do ar
  • Entre 7 e 8 de outubro: bets terão que informar aos bancos os valores que ainda estão nas contas
  • Entre 9 a 14 de outubro: banco realizarão a devolução dos saldos para apostadores que não retiraram até 5 de outubro
  • A partir de 14 de outubro: Caixa intermediará a devolução do dinheiro em caso de algum impedimento

Impacto na renda das famílias e na saúde pública

O ministro afirmou que a decisão de banir as bets ocorre após o Executivo reunir informações do setor e constatar impactos relevantes sobre a renda das famílias e a saúde pública.

Segundo Durigan, desde o início do tratamento do tema, em 2024, e com intensificação das ações ao longo de 2025 até o momento, o governo derrubou mais de 70 mil sites de apostas em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O ministro também afirmou que beneficiários de programas sociais foram impedidos de apostar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro também afirmou que o governo proibiu o chamado mercado coercitivo, classificado por ele como aposta 2.0, e excluiu da possibilidade de apostar pessoas superendividadas e atendidas por mecanismos de renegociação, como o programa Desenrola.

Durigan destacou a criação de uma ferramenta de autoexclusão, que, segundo ele, se tornou um canal relevante de recebimento de informações e de proteção aos usuários. De acordo com os dados apresentados, mais de 1,5 milhão de pessoas já se autoexcluíram das plataformas, e 60% dessas solicitações teriam sido motivadas por problemas de saúde mental.

— As pessoas dizem: "Eu preciso ter um jeito de sair de todas as plataformas, porque eu tô com problema de saúde mental" — afirmou.

Mesmo com as medidas adotadas, o ministro avaliou que a renda das famílias continua comprometida. Ele estimou que, apenas no mercado que estava legalizado, mais de R$ 60 bilhões foram destinados às empresas de apostas, valor que, segundo ele, foi esterilizado do ponto de vista do consumo das famílias e da economia real. Durigan ressaltou que o montante não inclui a atuação de plataformas ilegais, que seguem sob combate do governo.

O ministro afirmou que, com o acesso aos dados de apostas realizadas no país, o Ministério da Saúde começou a realizar busca ativa para identificar e tratar pessoas com dificuldades associadas ao jogo. Durigan também mencionou ações do Ministério da Justiça, com apoio da Receita Federal e da própria Fazenda, contra bets ilegais e contra operações autorizadas por entes subnacionais que depois teriam interrompido atividades.

Para o ministro, o quadro configura um problema grave de saúde pública, com relatos de angústia, vergonha e casos extremos, incluindo suicídios, em famílias afetadas.

— A gente precisa estar do lado da população brasileira, do lado das famílias brasileiras — disse Durigan, ao defender a medida adotada pelo governo para proteger a renda doméstica e mitigar danos associados às apostas.

Quais os próximos passos

A medida provisória tem força de lei a partir da publicação no Diário Oficial da União, conforme o artigo 62 da Constituição. Para continuar em vigor, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado em até 60 dias, prazo que pode ser prorrogado uma vez por mais 60 dias. A contagem fica suspensa durante o recesso parlamentar, entre 23 de dezembro e 1º de fevereiro.

A tramitação começa em uma comissão mista, formada por 12 deputados e 12 senadores. O grupo analisa se a MP atende aos requisitos constitucionais de relevância e urgência e, depois, discute o mérito, podendo propor mudanças.

O advogado Fernando Silveira de Oliveira, especialista em Direito Eleitoral e Constitucional do escritório Jobim Advogados Associados, explica que a medida entra em vigor imediatamente, mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso.

— Depois de editada, ela entra em vigor de imediato, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. A comissão mista vai examinar a constitucionalidade e os pressupostos de relevância e urgência, para depois entrar na discussão de mérito, com um parecer que pode, inclusive, propor alterações no texto — detalha Oliveira.

Após a comissão, o texto segue para o plenário da Câmara e, depois, para o Senado. Se os senadores fizerem alterações, a proposta retorna à Câmara para uma nova votação.

— Se o Senado não fizer nenhuma alteração, o texto é convertido em lei, porque foi aprovado pelo Congresso Nacional. Se fizer, ele volta para a Câmara para ser votado — acrescenta o advogado.

Se não for votada em até 45 dias, a MP passa a ter prioridade e tranca a pauta da Casa em que estiver. O prazo total para análise é de 120 dias, considerando a possibilidade de uma prorrogação. Se for rejeitada ou perder a validade sem votação, não pode ser reeditada na mesma sessão legislativa.

Oliveira avalia que o instrumento permite aos presidentes apresentar medidas de forma mais rápida, mas a aprovação depende da articulação com o Congresso.

— O presidente já mostra politicamente qual é a atitude dele, mas entrega ao Congresso a responsabilidade de avalizar ou não a medida depois — observa.

Resumo do trâmite

  • A MP entra em vigor com a publicação no Diário Oficial da União
  • Deputados e senadores têm seis dias para apresentar emendas
  • Uma comissão mista, com 12 deputados e 12 senadores, analisa os requisitos constitucionais e o mérito
  • O texto segue para a Câmara e depois para o Senado; se houver alterações dos senadores, volta aos deputados
  • Se for aprovada sem alterações, é promulgada pelo Congresso; se houver mudanças, segue como projeto de lei de conversão para sanção presidencial
  • Após 45 dias sem votação, passa a trancar a pauta da Casa em que estiver
  • O prazo é de 60 dias, prorrogável uma vez por mais 60 dias, com suspensão durante o recesso parlamentar
  • Se for rejeitada ou perder a validade sem votação, não pode ser reeditada na mesma sessão legislativa

Fonte: GZH

Mais notícias sobre ECONOMIA
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade