O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nesta sexta-feira (6). A detenção ocorreu logo após ordem do Ministério Público do país — que pediu a prisão de Peña depois que ele foi destituído do cargo pelo Congresso.
A polícia federal do país foi até a casa de Peña assim que o Senado encerrou o julgamento nesta sexta-feira.
A medida faz parte de uma investigação sobre suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes relacionados ao escândalo financeiro do Ueno Bank. A ordem foi emitida por quatro promotores responsáveis pelo caso.
Mais cedo nesta sexta, o Senado do Paraguai aprovou o impeachment de Peña. Ele havia apresentado uma carta de renúncia no dia anterior. Apesar disso, o Congresso deu prosseguimento ao processo de afastamento. Na quinta-feira (5), a Câmara já havia aprovado a destituição do presidente.
A crise política no país se instalou após banco digital Ueno Bank ter as atividades suspensas pelo Banco Central do Paraguai (BCP) na terça-feira (3). A medida deixou cerca de 2,9 milhões de clientes sem acesso às próprias contas, incluindo brasileiros.
Peña, na presidência desde 2023, foi sócio da holding que controla o Ueno até março de 2025. Ele afirma não ter mais vínculo com o grupo.
O presidente também escolheu para comandar o BCP Carlos Carvallo, que até então dirigia a versão anterior do Ueno. Na prática, o banco passou a ser fiscalizado por um ex-dirigente da própria instituição. O BCP sempre alegou que Carvallo se afastava das decisões relacionadas ao Ueno.
Por que o banco entrou em crise?
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno na terça-feira e iniciou um processo de resolução da instituição, procedimento semelhante à liquidação extrajudicial no Brasil. Uma revisão dos balanços identificou que o índice de solvência do banco estava abaixo de 50% do mínimo exigido por lei. Com a medida, as agências foram fechadas, o aplicativo deixou de funcionar e contas e cartões foram congelados.
A suspeita é de que o Ueno concedeu empréstimos em excesso a empresas ligadas ao próprio grupo controlador, sem garantias suficientes. Segundo o Ministério Público, as operações suspeitas somam mais de US$ 167 milhões (cerca de R$ 900 milhões), e parte dos valores pode não ser recuperada.
Oito dirigentes tiveram a prisão decretada, entre eles o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o presidente do Grupo Vázquez, Miguel Vázquez. Ao todo, 27 pessoas foram formalmente acusadas por crimes como lesão de confiança (prejuízo causado por quem administra patrimônio alheio) e tentativa de estelionato.
Linha do tempo da crise
- Terça-feira (3): o BCP fecha o Ueno depois de constatar que o capital do banco caiu abaixo da metade do mínimo exigido. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, ex-dirigente do Ueno, renuncia
- Quarta-feira (4): dirigentes do banco são presos. Lei antecipa a devolução aos clientes. Deputados de oposição apresentam o pedido de impeachment de Peña. Protestos se espalham por Assunção
- Quinta-feira (5): o Partido Colorado abandona Peña, que anuncia a renúncia. A Câmara aprova a acusação contra ele e rejeita a do vice, Pedro Alliana. O Congresso não analisa a renúncia por falta de quórum. Começam os pagamentos aos clientes
- Sexta-feira (6): o Senado nega o prazo extra pedido por Peña e inicia o julgamento, com votação prevista para a noite





















































