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16/06/2015 | 08:04 | Educação | Três de Maio

Usamos a experiência do poder e esquecemos a do amar

Palestrante Julio Cesar Walz desafiou professores, orientadores e supervisores educacionais a uma nova postura na arte de cuidar

Foto: Paulo Vítor Daniel

Poder x Amar! Estas duas palavras já tão distantes em seus sentidos, tiveram suas concepções situadas de forma ainda mais longínqua pelo psicólogo Dr. Julio Cesar Walz, palestrante do 8º Seminário de Orientadores e Supervisores Educacionais. O evento, realizado no Campus SETREM na sexta-feira, 12, reuniu mais de 200 profissionais da educação vindos de escolas e municípios de toda região que ouviram, refletiram e questionaram a importante temática apresentada por Walz: a arte de cuidar.
Segundo o palestrante, a experiência emocional que nos é gerada a partir da diferença na vida, seja qual for, produz em cada pessoa duas reações emocionais distintas: o poder e o amar. “Não importa se a situação envolva pessoas diferentes, expectativas diferentes, coisas diferentes ou qualquer outra diferença. A situação gera reações diferentes. A que mais usamos é a experiência do poder, enquanto a que menos usamos é a do amar. Em geral, quando a experiência aparece, temos a tendência da angústia de tentar controlar a vida e paramos de investigar, que é o amar”, destaca.
Walz explica que, quando uma criança tem problemas na escola, logo busca-se tentar controlar o fenômeno, quando na verdade seria fundamental conversar com ela. “Essa relação que se perde por causa da necessidade de tentar controlar a vida impede a gente de ajudar adequadamente esta criança. O mesmo ocorre em nossos lares. Quando acontecem coisas diferentes do que imaginamos, em geral preferimos iniciar uma Discussão de Relação (DR) do que simplesmente beijar nosso companheiro ou companheira. Achamos que a DR melhora as coisas, mas ela só piora, pois dá vazão a um acúmulo de rancores”, complementa.
“A coisa mais difícil que há na vida é nunca esquecer que gostamos de beijar, que gostamos de amar, compreendendo a importância de se colocar numa relação de igualdade com o outro. Queremos ser superiores às crianças, aos nossos companheiros e companheiras, aos alunos, e tudo isso é apenas pela angústia que vivenciamos diante da diferença. Se soubéssemos dar espaço ao amar, teríamos muito mais experiências positivas”, ressalta.  
Nós criamos isso no mundo
A dificuldade em compreender e aceitar o amar e abandonar a necessidade do poder, segundo o doutor, não é criada em nós pelo mundo, mas sim criada por nós no mundo. “Uma criança pequena, quando está com fome, chora, usando um artifício de comunicação. Ela não tem como investigar, então produz essa reação para tentar aproximar o adulto com o choro. Nós, enquanto adultos, não precisamos mais usar este artifício para controlar o ambiente. Podemos investigar, que é amar”, exalta Walz, complementando que é algo necessário à vida de todos nós.
Em diferentes ambientes, afastar-se da raiva, da angústia e da necessidade do poder é preciso. “Em ambientes hospitalares, por exemplo, você pode prover o paciente para que não sinta tanta dor, para que tenha um procedimento adequado, utilize os melhores equipamentos, receba a atenção devida e a melhor assistência em termos científicos. Isso é importante, mas o desafio maior é o de o enfermeiro, a enfermeira ou o médico não sentir raiva daquele paciente em uma situação diferente, que não ocorreu como previa. O mesmo vale para os professores diante dos alunos ou os pais diante de seus filhos. Quantas vezes você, como criança, apanhou porque fez algo que teu pai ou tua mãe não gostou? Isso não é educação. Isso é raiva do adulto que não gostou da diferença que se produziu daquilo que se esperava da criança. Esse ato que chamam de educação, eu chamo de poder, e isso precisa ser repensado”, conclui Walz.

Fonte: Assessoria SETREM

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