Logomarca Paulo Marques Notícias


| 09:24 | Política 4 min de leitura

Brasil segue EUA e deixa de apoiar medida da ONU que visa acesso global a remédios, vacinas e equipamentos

Apenas 14 países, entre os 193 membros, deixaram de patrocinar a resolução

Compartilhar:
Apenas 14 países, entre os 193 membros, deixaram de patrocinar a resolução
Divulgação
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na noite desta segunda-feira (20), um acordo de cooperação internacional que visa garantir o acesso global a medicamentos, vacinas e equipamentos médicos para enfrentar a pandemia de coronavírus.
Apenas Brasil, Estados Unidos e outros 12 países, entre os 193 membros da ONU, deixaram de patrocinar a resolução.
Normalmente, os países votam as resoluções durante encontros promovidos pelo órgão. Devido à pandemia, a assembleia mudou as regras de votação e agora faz circular um rascunho do documento entre os estados-membros. Se um único país apresentar objeções à resolução dentro do prazo de avaliação, ela é derrubada.
Cada país pode endossar a proposta como patrocinador ou copatrocinador. Países que não escolhem uma dessas opções mas também não apresentam objeções à resolução estão, em tese, apoiando o texto.
Na prática, entretanto, deixar de expressar uma posição clara sobre a questão demonstra falta de entusiamo pela causa. Neste momento de pandemia de coronavírus, entretanto, de acordo com diplomatas ouvidos, a posição representa uma aceitação de mau grado. A Folha apurou que esse foi o caso do Brasil.
O texto da resolução, apresentada à Assembleia Geral pelo governo do México, reafirma o "papel fundamental" da ONU na coordenação de uma resposta global à pandemia e reconhece o papel de "liderança crucial" desempenhado pela Organização Mundial da Saúde.
Alinhamento de Trump e Bolsonaro
Os EUA, sob a liderança de Donald Trump, têm chocado com a OMS durante a pandemia. Na semana passada, o presidente americano suspendeu os repasses feitos pelo país à instituição. Na ocasião, o líder do país que hoje lidera o ranking em número de casos e de mortes causadas pelo coronavírus disse que o órgão "falhou em seu dever básico e deve ser responsabilizada".
Trump disse ainda que a organização promoveu desinformação criada pela China sobre o vírus – o que, segundo o republicano, provavelmente levou a um surto maior do que o previsto. Endossar neste momento a resolução da ONU seria, então, uma medida contraditória.
Apesar de os EUA não terem apresentado objeções à resolução adotada nesta segunda, a Folha apurou que o país buscou uma articulação com outros estados-membros para não ser o único a deixar de endossar a resolução. O Brasil foi um dos convocados para aderir a essa coalizão. A Venezuela, os EUA e o Brasil são os únicos países das Américas a não patrocinar o projeto.
O presidente Jair Bolsonaro também já teve rusgas com a OMS. Em março, ele tirou de contexto fala do diretor-geral da organização, afirmando que Tedros Adhanom Ghebreyesu tinha voltado atrás em suas posições e defendido que as pessoas "têm que trabalhar", contrariando assim as recomendações de distanciamento social. 
A frase completa de Tedros, na ocasião, foi: "Cada indivíduo é importante, cada indivíduo é afetado pelas nossas ações. Qualquer país pode ter trabalhadores que precisam trabalhar para ter o pão de cada dia. Isso precisa ser levado em conta".
O alinhamento entre Brasil e Estados Unidos frente à resolução da ONU por cooperação internacional é mais um dos episódios em que as posturas de Bolsonaro e Trump em relação ao coronavírus apresentam semelhanças.
Ambos estão em conflito com governadores estaduais, defendem a reabertura da economia em um prazo que especialistas apontam como prematuro e perigoso e minimizaram a gravidade da pandemia em suas primeiras semanas – Bolsonaro continua nesta toada.
Procurado pela Folha, o Ministério das Relações Exteriores disse que o Brasil se "uniu ao consenso" dos demais estados-membros para demonstrar apoio ao texto apresentado. "Informamos que a referida resolução foi aprovada por procedimento silencioso, sem objeção da delegação brasileira, que acompanhou o consenso dos demais países", disse, em nota, o Itamaraty.
Além de Brasil e EUA, Austrália, Coreia do Norte, Eslovênia, Gabão, Hungria, Irã, Paquistão, República Democrática do Congo, Romênia, Rússia, Somália e Venezuela também não patrocinaram a resolução da ONU. Nenhum dos países apresentou objeções ao projeto.

Fonte: Gaúcha ZH

Mais notícias sobre POLÍTICA
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade
Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade Banner publicidade