08/01/2026 | 14:39 | Política
Deputados e senadores devem analisar ação presidencial, podendo manter a proposta ou derrubá-la
Três anos após os ataques golpistas na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou nesta quinta-feira (8) o chamado PL da Dosimetria, que reduz as penas de Jair Bolsonaro e dos demais condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na tentativa de golpe de Estado e nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
Lula já havia anunciado a posição sobre o tema em dezembro, afirmando que a proposta seria negada assim que chegasse à mesa dele. Na ocasião, ele afirmou que não houve acordo do Congresso com o governo para a tramitação do projeto de lei.
Com a formalização do veto, a proposta retorna ao Congresso, onde deputados e senadores vão analisar a decisão em sessão conjunta, podendo mantê-la ou derrubá-la. Caso o veto seja rejeitado, o texto é promulgado e passa a valer como lei. Se for mantido, a proposta é arquivada.
Para derrubar um veto presidencial, são necessários ao menos 257 votos entre os 513 deputados na Câmara e 41 votos entre os 81 parlamentares no Senado Federal.
Terceiro caminho
Há ainda um terceiro caminho possível. O PL da Dosimetria pode ser judicializado e acabar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste cenário, o caso é distribuído a um ministro relator e passa a ser analisado pela Corte — um processo que, na prática, pode se arrastar por anos, mantendo a aplicação da regra aprovada enquanto não há uma decisão definitiva.
O que é o PL da Dosimetria
O texto do PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de abolição ao Estado democrático de direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.
O foco do PL é uma mudança no cálculo das penas, "calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas". O projeto também propõe a redução do tempo para progressão do regime de prisão fechado para semiaberto ou aberto.
Tais mudanças poderão beneficiar réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil, e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).